segunda-feira, 9 de julho de 2012

O universo desenhado de Arnaldo Menezes



Pessoas talentosas merecem toda a atenção e com Arnaldo não poderia ser diferente. Como núcleo desse texto, resolvi envolver uma figura de grandes potencialidades, que desenvolve o melhor de si através das artes. Em suas mãos, os traços simplesmente ganham forma e vida, no utilizo de lápis e papel como as ferramentas essenciais da existência de seus personagens prediletos. Sou suspeito pra falar de José
Arnaldo Afonso de Menezes (ou apenas Zé Arnaldo), por ser seu amigo e por ter compartilhado com ele algumas boas ideias pra movimentar o lugar onde vivemos. Então, foi justamente por isso que o procurei para colher algumas importantes informações sobre as suas produções que enchem os olhos.





Iniciando apenas com oito anos de idade as obras, a cidade de Murici/AL foi ganhando um especialista em transferir um mundo para o papel, seja ele de que tipo for. Com o passar do tempo e depois de insistentemente se ligar nos desenhos mais irados que rolavam na TV, os rabiscos ganharam traços contundentes e, com grande evolução, Arnaldo materializava nos desenhos tudo o que mais curtia, mesmo dentro de uma realidade tão atrasada quanto articulações de grupos produtores de artes como as suas. Tendo a mãe como maior inspiração para as produções, o autodidata Arnaldo sentava na cadeira, botava o papel na mesa e grudado no lápis seguia sua imaginação, navegando pelo universo dos mangás que acompanhava constantemente, sem falar no bom e velho heavy metal que o seguia como trilha sonora nas suas missões artísticas.





Arnaldo se orgulhava em dizer que com 25 anos de idade foi aprendiz por 1 ano do saudoso maceioense pintor, desenhista, escultor e professor Pierre Chalita, falecido em 2010. Ilustrador de diversas obras literárias, Chalita se formou pela Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro, além de ter estudado na Academia de Belas Artes San Fernando, em Madrid (1957) e na Escola de Belas Artes de Paris (1958).

Entretanto, parece que esse orgulho de Arnaldo dificilmente é compartilhado em sua essência com outros. Não especificamente por falta do reconhecimento do peso de Pierre Chalita em sua vida e em seus traços, mas por uma falta de interesse mais generalizada por suas obras, provindas de uma condição histórico-cultural mais antiga e visceral. Inclusive, para não dizer que esse é um apontamento exclusivamente meu, o próprio Arnaldo fomenta a discussão quando por mim questionado.

Pergunto-lhe: Qual a maior dificuldade que você encontra para trabalhar com arte em Murici?

Arnaldo: A principal dificuldade é a falta do reconhecimento do valor que a arte tem, pois poucos sabem valorizar.

Nesse trecho, retirado de nossa conversa no domingo (08/07), Arnaldo parece apontar um grave problema em sua área, mas em momento algum culpa a população. Muito pelo contrário, ele convive com isso. Esse artista parece saber que são problemas muito mais profundos, decorrentes de um passado de subserviência dos trabalhadores para com os seus chefes/coronéis/dominadores. A população, como tantas outras em Alagoas, nasceu em berço erguido por filosofias coronelistas e religiosas e assim sua educação se desenvolveu, sem jamais questionar, seja através do desenho ou de qualquer outra forma de expressão artística, o meio que os cerca. Além disso, como dito anteriormente, não existe grande articulação dos grupos que desenvolvem a cultura local.

Nos porões, à procura de reconhecimento. Meio que ilhado, Zé Arnaldo, entre uma atividade e outra, ainda vai desenvolvendo sua arte a quem interessar. Atualmente, Arnaldo é referência na produção de desenhos para grupos específicos de jovens ligados a atividades escolares em Murici/AL. Segundo ele, os preços dos desenhos variam entre R$30,00 e R$50,00, dependendo muito da complexidade do material solicitado. Painéis com artes digitais também é a praia desse artista. Manjando bastante das ferramentas do computador para aperfeiçoar seus trabalhos, Arnaldo descola logomarcas, modelos de fardamentos escolares ou para eventos, entre outros.

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