Murici,
Alagoas, foi um dos municípios fortemente atingidos pelas severas enchentes do
ano de 2010. O tempo passou, mas as cicatrizes permanecem muito vivas numa das mais
tradicionais áreas urbanas da cidade.
De
lá pra cá, muito tem-se feito. O povo é sofrido, mas é forte de igual modo.
Juntam os cacos das casas e das almas e começam absolutamente tudo do zero.
Aguentam firme a saudade dos entes queridos que se foram naquela furiosa ação da
natureza e lutam incansavelmente para tornar esse interior de 27 mil habitantes
novamente num lar. Entretanto, apesar de todos os esforços, algumas marcas não
somem. Seja pela expansão da cidade, refletida na falta de condições para se habitar
nos locais que são constantemente inundados, seja pela teimosia de alguns populares em deixar lá aquelas rachaduras, como uma necessidade de não esquecer
as feridas que motivam suas superações mais particulares, os fazendo acordar cedo todos os dias
para encarar a rotina.