A discussão sobre a rentabilidade da
produção cultural material parece-me um tanto quanto superada. Lendo e relendo
algumas notícias, tenho colhido esse ano no mínimo de 10 a 15 exemplos de casos
importantes para o Estado de Alagoas
quando o tema é artesanato.
No mês passado (os mais interessados
no assunto devem saber) o artesanato alagoano enviou representações para o V Salão Internacional do Artesanato,
evento realizado em Brasília-DF. Na
ocasião, expositores de mais de 10 países e representantes dos Estados
brasileiros realizaram grande comunhão de produtos, comercializados com êxito.
Dentre esses, estava o artesanato alagoano, representado por artesãos inclusos
ao Programa do Artesanato Brasileiro em
Alagoas (PAB), coordenado pela Secretaria
de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (SEPLANDE).
Filé, fibras de ouricuri e patchwork
foram os tipos de artesanato apresentados pelas 7 representações alagoanas.
Sãos elas: Marechal Deodoro, Boca da Mata, Coruripe, Feliz Deserto,
Maceió, Maragogi e Capela. Na
oportunidade, foram comercializados em mercadorias cerca de R$40 mil reais. Dado que atingiu as
expectativas dos membros envolvidos com o projeto de Alagoas.
Nesse mês de dezembro, artesãos
alagoanos do Programa do Artesanato
Brasileiro em Alagoas (PAB) continuam desbravando outras regiões, agora em Belo Horizonte, na 23ª Feira Nacional do Artesanato (Mãos de Minas), evento realizado
de 04 a 09. Além da participação dos Estados brasileiros, mais 12 países enviam
suas representações. A 23ª FNA é uma
realização do Instituto Centro Cape
(Iccape), Central Mãos de Minas,
Federação das Indústrias do Estado de
Minas Gerais (Fiemg) e Serviço
Social da Indústria de Minas Gerais (Sesi-MG). O evento também faz parte do
Calendário Brasileiro de Exportações e
Feiras, do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior.
Com apenas esses exemplos atuais
podemos perceber que um tanto de organização das forças produtivas de nosso
Estado serve para enterrar de vez a falácia de que cultura não dá dinheiro. Não que o dinheiro supere a importância
simbólica em se produzir e sustentar as raízes históricas de um povo, mas
levando em conta de que para produzir é preciso haver retorno, que torne o
tempo gasto em tempo trabalhado, esse é um precedente de grande importância
para os produtores. Basta agora que os agentes que organizam essas produções
busquem alternativas para desbravarem outros territórios alagoanos, como
interiores que possuem muito a oferecer em termos de criatividade, diversidade
e qualidade de artesanato. É preciso agir, antes que mais artesãos larguem o
ofício, como vem acontecendo em minha região.
