quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Artesanato alagoano: superando(se) e desbravando(se)


A discussão sobre a rentabilidade da produção cultural material parece-me um tanto quanto superada. Lendo e relendo algumas notícias, tenho colhido esse ano no mínimo de 10 a 15 exemplos de casos importantes para o Estado de Alagoas quando o tema é artesanato.

No mês passado (os mais interessados no assunto devem saber) o artesanato alagoano enviou representações para o V Salão Internacional do Artesanato, evento realizado em Brasília-DF. Na ocasião, expositores de mais de 10 países e representantes dos Estados brasileiros realizaram grande comunhão de produtos, comercializados com êxito. Dentre esses, estava o artesanato alagoano, representado por artesãos inclusos ao Programa do Artesanato Brasileiro em Alagoas (PAB), coordenado pela Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (SEPLANDE).

Filé, fibras de ouricuri e patchwork foram os tipos de artesanato apresentados pelas 7 representações alagoanas. Sãos elas: Marechal Deodoro, Boca da Mata, Coruripe, Feliz Deserto, Maceió, Maragogi e Capela. Na oportunidade, foram comercializados em mercadorias cerca de R$40 mil reais. Dado que atingiu as expectativas dos membros envolvidos com o projeto de Alagoas.

Nesse mês de dezembro, artesãos alagoanos do Programa do Artesanato Brasileiro em Alagoas (PAB) continuam desbravando outras regiões, agora em Belo Horizonte, na 23ª Feira Nacional do Artesanato (Mãos de Minas), evento realizado de 04 a 09. Além da participação dos Estados brasileiros, mais 12 países enviam suas representações. A 23ª FNA é uma realização do Instituto Centro Cape (Iccape), Central Mãos de Minas, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Serviço Social da Indústria de Minas Gerais (Sesi-MG). O evento também faz parte do Calendário Brasileiro de Exportações e Feiras, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Com apenas esses exemplos atuais podemos perceber que um tanto de organização das forças produtivas de nosso Estado serve para enterrar de vez a falácia de que cultura não dá dinheiro. Não que o dinheiro supere a importância simbólica em se produzir e sustentar as raízes históricas de um povo, mas levando em conta de que para produzir é preciso haver retorno, que torne o tempo gasto em tempo trabalhado, esse é um precedente de grande importância para os produtores. Basta agora que os agentes que organizam essas produções busquem alternativas para desbravarem outros territórios alagoanos, como interiores que possuem muito a oferecer em termos de criatividade, diversidade e qualidade de artesanato. É preciso agir, antes que mais artesãos larguem o ofício, como vem acontecendo em minha região.