quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

E o Pinto com isso?

Desfile do bloco Pinto da Madrugada. Por Aílton Cruz.

Já posso ver o carnaval... A maior festa brasileira se aproxima e com ela uma notícia nada bem recebida pelos foliões de um dos maiores e mais tradicionais blocos carnavalescos de Alagoas, o maceioense Pinto da Madrugada, que este ano comemora 13 anos de existência. Nas redes sociais, o que se compartilha e comenta é que o bloco “não iria às ruas nesse carnaval”. O motivo seria a ausência de patrocínio. Os maiores investidores da festa, o Governo de Alagoas e a Prefeitura Municipal, não repassaram o dinheiro previsto para o acontecimento do desfile, onde os maiores gastos são com as orquestras e alegorias. A iniciativa privada também tem gerado descontentamento.

Entretanto, não se apavorem! Em notícia divulgada pelo G1 Alagoas, no último dia 23 (quarta-feira), a direção do bloco garantiu que o desfile irá sim acontecer e que apenas “O Pinto da Madrugada desfilará com menos beleza”. A festa será mantida e acontecerá no próximo dia 02.

Segundo o site oficial do bloco (que confirma o desfile) o Pinto da Madrugada foi criado por um grupo de amigos, das mais distintas profissões, independentes financeira e politicamente, com intuito de resgatar as autenticas festas de Momo de Alagoas, priorizando todas as suas peculiaridades, desde as tradicionais trilhas musicais, até a irrestrita participação do público. A primeira aparição pública do bloco foi em 2000, com a Cerimônia de Batizado. O Pinto da Madrugada tem como seu padrinho o bloco recifense Galo da Madrugada, um dos mais importantes de Pernambuco.

Agora, vamos ao que realmente interessa nesse post. Fazendo-me valer da ideia puramente ingênua, mas otimista, onde o antropólogo Roberto DaMatta indicava, em sua obra intitulada Carnavais, Malandros e Heróis, o carnaval como sendo a única festa terminantemente do povo, feita pelo povo e para o povo, qual o motivo para alardes com a falta de apoio financeiro público ou privado? Povo alagoano, uni-vos... E improvisem sua festa! Os principais exemplos das grandes corporações que se apoderaram de seus carnavais locais nos mostram o quanto temos a perder. E não me venham falar de geração de renda e aquecimento da economia nesses exemplos... Isso é importante, mas, em muitas regiões do país, se limitam aos dias do descontrole carnavalesco. Apenas isso.

Está certo que a diretoria não deixou que o Pinto broxasse... E os parabenizo por isso. Mas sobrevivemos até aqui. Lembram-se dos inocentes melas-melas em cada bairro da cidade, seja na capital ou no interior? Quem bancava aquela brincadeira desgovernada além dos pais ou dos avós que doavam alguns míseros centavos pra maisena?! Vamos sair da zona de conforto que espera superproduções! Vamos reciclar o material para as nossas fantasias. Xiiiiiii... Não tem orquestra? Então a gente junta umas latas com pedaços de pau e batucamos até o dia amanhecer. O que não podemos é permitir que morram a história e a cultura carnavalesca em Alagoas.