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| Desfile do bloco Pinto da Madrugada. Por Aílton Cruz. |
Já posso ver o carnaval... A maior
festa brasileira se aproxima e com ela uma notícia nada bem recebida pelos
foliões de um dos maiores e mais tradicionais blocos carnavalescos de Alagoas,
o maceioense Pinto da Madrugada, que
este ano comemora 13 anos de existência. Nas redes sociais, o que se compartilha
e comenta é que o bloco “não iria às ruas
nesse carnaval”. O motivo seria a ausência de patrocínio. Os maiores
investidores da festa, o Governo de Alagoas e a Prefeitura Municipal, não
repassaram o dinheiro previsto para o acontecimento do desfile, onde os maiores
gastos são com as orquestras e alegorias. A iniciativa privada também tem
gerado descontentamento.
Entretanto, não se apavorem! Em
notícia divulgada pelo G1 Alagoas,
no último dia 23 (quarta-feira), a direção do bloco garantiu que o desfile irá
sim acontecer e que apenas “O Pinto da Madrugada desfilará com menos beleza”. A festa será mantida e acontecerá no
próximo dia 02.
Segundo o site oficial do bloco (que
confirma o desfile) o Pinto da Madrugada
foi criado por um grupo de amigos, das mais distintas profissões, independentes
financeira e politicamente, com intuito de resgatar as autenticas festas de
Momo de Alagoas, priorizando todas as suas peculiaridades, desde as tradicionais
trilhas musicais, até a irrestrita participação do público. A primeira aparição
pública do bloco foi em 2000, com a Cerimônia de Batizado. O Pinto da Madrugada tem como seu
padrinho o bloco recifense Galo da
Madrugada, um dos mais importantes de Pernambuco.
Agora, vamos ao que realmente
interessa nesse post. Fazendo-me valer da ideia puramente ingênua, mas otimista,
onde o antropólogo Roberto DaMatta
indicava, em sua obra intitulada Carnavais, Malandros e Heróis, o
carnaval como sendo a única festa terminantemente do povo, feita pelo povo e
para o povo, qual o motivo para alardes com a falta de apoio financeiro público
ou privado? Povo alagoano, uni-vos... E improvisem sua festa! Os principais
exemplos das grandes corporações que se apoderaram de seus carnavais locais nos
mostram o quanto temos a perder. E não me venham falar de geração de renda e
aquecimento da economia nesses exemplos... Isso é importante, mas, em muitas
regiões do país, se limitam aos dias do descontrole carnavalesco. Apenas isso.
Está certo que a diretoria não deixou
que o Pinto broxasse... E os parabenizo
por isso. Mas sobrevivemos até aqui. Lembram-se dos inocentes melas-melas em
cada bairro da cidade, seja na capital ou no interior? Quem bancava aquela
brincadeira desgovernada além dos pais ou dos avós que doavam alguns míseros
centavos pra maisena?! Vamos sair da zona de conforto que espera
superproduções! Vamos reciclar o material para as nossas fantasias. Xiiiiiii... Não tem orquestra? Então a
gente junta umas latas com pedaços de pau e batucamos até o dia amanhecer. O que não
podemos é permitir que morram a história e a cultura carnavalesca em Alagoas.
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