quinta-feira, 28 de junho de 2012

1 mês depois... Comprovado! Tem Cultura ao Lado


Apresentação Vivendo de Solidão, do grupo Cia. Ltda. Em fevereiro de 2009, na Escola Professor Loureiro (Murici/AL).



A descoberta de novas formas de pensar, de agir, de lhe dar com a vida em sociedade, de mudar as estruturas, de ousar nomenclaturas, todas essas condições, alheias a quem caminha sem rumo, causam lampejos de comportamentos inexplicáveis e são justamente essas raridades a que devemos deter bastante
atenção. Andar por aí de bobeira ganhou um novo significado. Na casa tem uma rua e na rua tem uma casa, não são mais os meros conceitos diametralmente opostos que costumávamos ver. O ver também se suicidou em favor de uma nova perspectiva do pensar, uma nova brecha antropológica escancarada no cérebro, não mais obscura enquanto reflexo da morte/do finito, mas pairando em ares de nascimento ou renascimento do ser humano, como queiram. O olhar, depois de acordar e se revestir de exigência, passou a desbravar novos roteiros e a botar a mão na massa à procura de ardentes formas de expressões humanas, que resolvam equações há tempos frequentes em nossas vidas e jamais solucionadas. 


Quem te viu... Quem te vê?

Existe uma brutal divisão entre quem sente o amargo como amargo e quem sente o amargo como um dos sabores possíveis dentre as muitas combinações alcançáveis. Entretanto, não há razão para escolher um campo ou outro, no momento em que bem entender e que der na telha, como se fossemos seres desprovidos das redes de sociabilidade e suas intervenções sobre nós. O processo é contínuo e se denomina em suas mutações constantes, dentro do marasmo das fôrmas cotidianas, através de lapsos de racionalidade de ação. Da casa para o trabalho, do trabalho para a escola formal, da escola formal para a escola da vida, numa roda de amigos...

Domingo tem jogo, não é?!

Claro que sim!

Ah, tá legal... Vamos sair pra assistir e tomar umas cervejas.

O tempo se desfaz com rigor e certa injustiça. Mas o tempo da oportunidade de ação é mais rápido que o bater das asas de um beija-flor. O passado é certeza e o presente é correnteza de fluídos comuns, onde os contramaré se destacam e causam burburinhos entre as outras gotas inertes. O futuro é garantido por engrenagens de hoje, que somos você e eu... Mas é aquele futuro que queremos alcançar? Pra mudar, tem que fazer força e girar a roda no sentido contrário.

Depois de 1 mês e 17 postagens, vi o tempo passar voando. Mas também é preciso dizer que esse tempo foi recheado de significados. A nova forma de olhar para fora de si te concede uma importantíssima ferramenta para o olhar interior. Isso, por si só, já é incrível. Entretanto, todas essas transformações combinadas ao poder simbólico dos indivíduos de variados cantos da sociedade, fazem com que energias das mais estranhas e brilhantes sejam trocadas, numa cooperativa dos sentidos e das transmutações do existir:

·       Na ida conhecimento, na volta reconhecimento;

·       Estudar os outros é estudar a si mesmo e, estudando os outros, respondemos algumas respostas deles e também nossas;

·       Olhar para os outros é olhar para si, e também é ver belezas em coisas que não podemos fazer, muitas vezes nem explicar, mas é prazeroso tentar desvendar;

·       A sensibilidade do olhar permite que o pesquisador se apegue ao que faz, ao que sente, ao que enxerga. Não são as multinacionais que o direcionará. Não são padrões de bom e de ruim que o iludirá. Mas o simples/complexo desejo de ver para além de um ruído, do rabisco sem rumo prévio, do surrealismo de cores pintadas por quem não teve ensinamento técnico algum;

·       Escrever é eternizar, eternizar é participar da luta diária de quem sustenta essas tradições para viver, etc.

Viu como a dona Maria roda, roda, roda e não deixa o copo cair? Nem o copo, muito menos a peteca, quando sai daquela comunhão e tem que esperar o São João do ano que vem pra dançar um forró danado daquele jeito.

E o Padim Ciço? Líder religioso nordestino, líder político de grande potencialidade, ganhou os quatro cantos do oxente e foi-se a rezar missa em solo acariocado.

Suassuna é antivírus pra dormência do pensar e do agir? Só o tempo dirá...

Ah, tempo... Tempo, seu escapulido! Escapula muito não.

Tempo, deixe tempo... Que tentaremos fazer um pouco mais.

Mas fazer um pouco mais carece de união de forças. É por isso que sou grato a todos os que já até aqui participaram dessa iniciativa de divulgação da cultura material e imaterial alagoana, nordestina... Brasileira! Aos companheiros que direta ou indiretamente contribuíram significativamente para dar vida ao projeto Cultura Ao Lado (seja disponibilizando material/conhecimento ou cedendo um pouco de seu tempo lendo/divulgando esse espaço virtual).

Tem cultura ao lado? Tem! Tá mais que na hora de cair de cara nesse universo e valorizar os esforços: daqueles que trabalharam/trabalham pesado para humanizar as coisas, os espaços, deixando benefícios e marcando suas gerações; daqueles que deram vida ao material descartado, desprezado, sem rumo nem ramo, e ao imaterial desperdiçado (que é o tempo improdutivo); daqueles que vivem das artes pelo gosto de se oporem a reprodução robótica e insana que se apega às horas do dia-a-dia. A todos os vencedores do nosso Estado alagoano... Onde a matança desenfreada leva como enchente a nossa história, o nosso povo espetacularmente criativo, deixando lacunas no continuar do nosso desenvolvimento, a minha humilde, mas verdadeira admiração.

Em cada esquina, em cada canto, uma história pra contar... E estaremos lá.

Obrigado a todos!