quinta-feira, 14 de junho de 2012

A “cultura” é abundante, também em significados



Em vias de divulgar o segundo capítulo do texto Flâneur, iniciado neste blog e de leitura disponível na coluna a esquerda do seu visor, é preciso fazer com que esse espaço exerça um papel de tornar todo o debate em torno das culturas cada vez mais amplo, lúcido e contundente, a partir de inúmeras perspectivas de profissionais ou amadores que se apaixonaram pela temática. Por isso, é indispensável ao
Cultura Ao Lado a apreensão de trabalhos diversos que promovem alguma reflexão sobre o tema central, justamente para não deixar de oferecer a você, caro leitor, subsídios suficientes para entender e se posicionar sobre o que se remete as identidades culturais, produções culturais materiais e imateriais, sentido da modernização desse universo, práticas segregacionistas, práticas de inclusão e aprimoramento, além de muitos outros tópicos presentes no bojo da pauta. 

Justamente por buscar a heterogeneidade deste espaço virtual, andei lendo alguns curiosos artigos na última semana e procurei algo que se referisse ao sentido do conceito cultura. Senti na pele a grandeza do desafio que é se deter aos trabalhos da cultura como centralidade de um projeto criado nesse blog, pois, o que estritamente seria cultura

Foi seguindo os caminhos dessa curiosidade, que chega a ser uma aflição para estudiosos da área, que conheci alguns dos trabalhos da professora de História da América da UNESF, Mércia Peregrino, especificamente um de seus artigos intitulado Heranças Culturais

Segundo os cálculos da autora, foram produzidas cerca de 250 conceituações distintas da palavra cultura por parte dos estudiosos, o que logicamente comprova o que ela mesma indica na introdução do artigo: a cultura recebeu nos últimos tempos um forte impacto das formas de comunicação cada vez mais modernas, ampliando ainda mais o que já se classificava dentro de uma pluridimensionalidade de sentidos. Dentre algumas das conceituações divulgadas nesse artigo, a cultura é vista como um reflexo daquilo que o homem exprime, comunica e conserva em suas obras, humanizando a vida social, tanto no seio da família quanto na comunidade civil, imprimindo suas características, que se desenvolveram ao longo do tempo ou são resultados de heranças. Essa afirmação não foge muito do que inconscientemente pensamos sobre o conceito. No entanto, Mércia Peregrino identifica os signos linguísticos como importantes criações da cultura e meios primordiais para sua transmissão, seja quanto a linguagem falada, escrita ou gesticulada. Concluindo desta forma um dos principais produtos culturais, à luz de Mércia, podemos dizer que as alterações linguísticas (e as complexas literaturas) são frutos da busca de facilidades para o alastramento dos códigos culturais e da comunicação social sendo, portanto, um reflexo da vida (enquanto o desenvolvimento de seu grau cultural) da comunidade que a representa. No específico caso brasileiro, sua literatura é a imagem do grau de desenvolvimento que alcançamos ao longo da evolução linguística luso-africana, herança dos nossos antepassados.                       
        
Mesmo com essa vasta lista de conceituações para apenas uma só palavra, a autora explica que cultura sempre está ligada a valores e expressões humanas, seja no sentido sociológico, antropológico ou histórico. Assim, lembrando Gilberto Freyre, ela cita “Não há história propriamente dita que não seja de cultura”.

Continuarei aqui a adotar a missão de trabalhar a temática na ótica de vários autores, sejam acadêmicos ou aqueles que conhecemos em cada esquina, que pouco grau escolar atingiram, mas comportam vasta experiência de convívio social e que precisa ser relatada. 

*O artigo Heranças culturais é na verdade um resumo de uma palestra apresentada no III Seminário Internacional de Lusografias, ocorrido na cidade de Évora, em Portugal, e foi por mim obtido através da Revista Uno: caminhos e sinais, V.1. Nº 05, de abril a junho de 2001.


Imagem adquirida em:  http://teatrosantacatarina.com/