Em vias de divulgar o segundo capítulo do texto Flâneur,
iniciado neste blog e de leitura disponível na coluna a esquerda do seu visor,
é preciso fazer com que esse espaço exerça um papel de tornar todo o debate em
torno das culturas cada vez mais amplo, lúcido e contundente, a partir de
inúmeras perspectivas de profissionais ou amadores que se apaixonaram pela
temática. Por isso, é indispensável ao
Cultura Ao Lado a apreensão de trabalhos diversos que promovem alguma reflexão sobre o tema central, justamente para não deixar de oferecer a você, caro leitor, subsídios suficientes para entender e se posicionar sobre o que se remete as identidades culturais, produções culturais materiais e imateriais, sentido da modernização desse universo, práticas segregacionistas, práticas de inclusão e aprimoramento, além de muitos outros tópicos presentes no bojo da pauta.
Cultura Ao Lado a apreensão de trabalhos diversos que promovem alguma reflexão sobre o tema central, justamente para não deixar de oferecer a você, caro leitor, subsídios suficientes para entender e se posicionar sobre o que se remete as identidades culturais, produções culturais materiais e imateriais, sentido da modernização desse universo, práticas segregacionistas, práticas de inclusão e aprimoramento, além de muitos outros tópicos presentes no bojo da pauta.
Justamente por buscar a heterogeneidade deste espaço virtual,
andei lendo alguns curiosos artigos na última semana e procurei algo que se
referisse ao sentido do conceito cultura. Senti na pele a grandeza do
desafio que é se deter aos trabalhos da cultura como centralidade de um
projeto criado nesse blog, pois, o que estritamente seria cultura?
Foi seguindo os caminhos dessa curiosidade, que chega a ser uma
aflição para estudiosos da área, que conheci alguns dos trabalhos da professora
de História da América da UNESF, Mércia Peregrino, especificamente um de
seus artigos intitulado Heranças Culturais.
Segundo os cálculos da autora, foram produzidas cerca de 250
conceituações distintas da palavra cultura por parte dos estudiosos, o
que logicamente comprova o que ela mesma indica na introdução do artigo: a
cultura recebeu nos últimos tempos um forte impacto das formas de comunicação
cada vez mais modernas, ampliando ainda mais o que já se classificava dentro de
uma pluridimensionalidade de sentidos. Dentre algumas das conceituações
divulgadas nesse artigo, a cultura é vista como um reflexo
daquilo que o homem exprime, comunica e conserva em suas obras, humanizando a
vida social, tanto no seio da família quanto na comunidade civil, imprimindo
suas características, que se desenvolveram ao longo do tempo ou são resultados
de heranças. Essa afirmação não foge muito do que inconscientemente pensamos
sobre o conceito. No entanto, Mércia
Peregrino identifica os signos
linguísticos como importantes criações da cultura e meios primordiais para sua
transmissão, seja quanto a linguagem falada, escrita ou gesticulada. Concluindo
desta forma um dos principais produtos culturais, à luz de Mércia, podemos
dizer que as alterações linguísticas (e as complexas literaturas) são frutos da
busca de facilidades para o alastramento dos códigos culturais e da comunicação
social sendo, portanto, um reflexo da vida (enquanto o desenvolvimento de seu
grau cultural) da comunidade que a representa. No específico caso brasileiro,
sua literatura é a imagem do grau de desenvolvimento que alcançamos ao longo da
evolução linguística luso-africana, herança dos nossos antepassados.
Mesmo com essa vasta lista de conceituações para apenas uma só
palavra, a autora explica que cultura sempre está ligada a valores
e expressões humanas, seja no sentido sociológico, antropológico ou histórico.
Assim, lembrando Gilberto Freyre,
ela cita “Não há história propriamente
dita que não seja de cultura”.
Continuarei aqui a adotar a missão de trabalhar a temática na
ótica de vários autores, sejam acadêmicos ou aqueles que conhecemos em cada
esquina, que pouco grau escolar atingiram, mas comportam vasta experiência de
convívio social e que precisa ser relatada.
*O artigo Heranças culturais é na
verdade um resumo de uma palestra apresentada no III Seminário Internacional de
Lusografias, ocorrido na cidade de Évora, em Portugal, e foi por mim
obtido através da Revista Uno: caminhos e sinais, V.1. Nº 05, de abril a junho de 2001.
Imagem adquirida em: http://teatrosantacatarina.com/
