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domingo, 1 de setembro de 2013

Cicatrizes

Murici, Alagoas, foi um dos municípios fortemente atingidos pelas severas enchentes do ano de 2010. O tempo passou, mas as cicatrizes permanecem muito vivas numa das mais tradicionais áreas urbanas da cidade.

De lá pra cá, muito tem-se feito. O povo é sofrido, mas é forte de igual modo. Juntam os cacos das casas e das almas e começam absolutamente tudo do zero. Aguentam firme a saudade dos entes queridos que se foram naquela furiosa ação da natureza e lutam incansavelmente para tornar esse interior de 27 mil habitantes novamente num lar. Entretanto, apesar de todos os esforços, algumas marcas não somem. Seja pela expansão da cidade, refletida na falta de condições para se habitar nos locais que são constantemente inundados, seja pela teimosia de alguns populares em deixar lá aquelas rachaduras, como uma necessidade de não esquecer as feridas que motivam suas superações mais particulares, os fazendo acordar cedo todos os dias para encarar a rotina.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Emancipação política: elementos do espetáculo

Imagem extraída do blog da Prefeitura Municipal de Rio Largo - Desfile da banda fanfarra de Murici.


Já se passaram dias desde as comemorações das emancipações políticas de interiores como Murici e Branquinha (tidos aqui como exemplos centrais), mas provavelmente não percebemos as ligações ritualísticas desse processo de forma mais efetiva. E isso tem importância? Claro que sim! Perceber essas festividades diz muito sobre a nossa história, não apenas do ponto de vista político, mas de todos os elementos que compõem a formação cultural/humana desses povos. E foi a partir de estudos do carnaval alagoano que consegui remontar alguns dos aspectos essenciais para que pudéssemos compreender como se dão esses momentos, através de uma literatura escassa e com grande contribuição da oralidade popular. Esse texto, escrito exclusivamente para o blog Cultura ao Lado, tem a intenção de desmontar o rito, para compreender o mito. É apenas um esboço do estudo das festividades e do campo dos mercados de lazer. É apenas um estudo de elementos, e não propriamente de sentidos. Mas deve servir para o propósito de pensarmos esses pólos de maneira analítica e sem restrições. Aqui, o texto é resumido, mas pode forjar um objeto a ser apreendido pelo estudioso que se interessar.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Conhecimento



O conhecimento é algo imprescindível mesmo, não é?! Andei pensando muito sobre isso depois de algumas descobertas desse fim de semana.

O conhecimento nos condiciona para novos estágios da vida. Dá sentido a cada caminhada diária. Se coloca como luz no fim do túnel escuro da falta de compreensão do mundo e seus mistérios. É o conhecimento que nos permite ser quem somos hoje e é sempre algo mais que ontem (não existindo, portanto, decréscimo de conhecimento). São as nossas oportunidades de conhecimento que explicam o que deveremos ser. “Deveremos”? Isso não é meio determinista? Sim. É por isso que temos a opção de ser quem quisermos ser, mas só o seremos através do conhecimento e, tão importante quanto, através das ferramentas de busca do conhecimento que se firmam em nossas trajetórias.

domingo, 10 de março de 2013

A Fábrica dos sonhos: produção cultural VS cultura em produção


A definição de produtor cultural se confunde com a própria definição de cultura. Suas abordagens são das mais variadas e atuantes nas mais distintas áreas. Mas, a definição que muito me agrada e se engaja na proposta deste texto é de pensar o produtor cultural como um profissional que por vezes é voluntarioso em desempenhar suas habilidades de articulação. No entanto, antes mesmo de me deter a situação específica que quero abordar, recomendo que vejam o completíssimo material produzido pelo blog Produção Cultural no Brasil. O trabalho reúne uma série de entrevistas com muitos nomes da produção cultural no país, articulando muitas das definições para esse meio profissional e compartilhando inúmeras experiências que me encantaram.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Três altas doses de mudança: Murici, Joelma Simões e uma declaração de amor



O blog Cultura ao Lado abre espaço para um belíssimo texto que recentemente foi veiculado no blog do nosso parceiro JMarcelo, de União dos Palmares. A cada linha, as palavras vão remontando uma história e experiência de vida que qualquer muriciense deve facilmente se identificar. Como muriciense, faço questão de divulgar o texto de Joelma Simões, que retrata cronologicamente um dia na pacata Murici, suas grandezas, seus desamores, seu povo e seus símbolos cotidianos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Qual sua cara pra Murici?



A 7ª edição da Feira dos Municípios Alagoanos chegou ao fim, mas a cidade de Murici, interior de Alagoas, ainda deve degustar os ganhos por muito tempo. O evento de grandes proporções, realizado no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso (Jaraguá, Maceió) interferiu significativamente no andar dos projetos e negociações nas áreas de turismo, comércio e artesanato local. Não apenas pelos dias da feira em si (de 17 a 20 de janeiro), mas por todas as etapas preparatórias que antecederam esse importante momento. Como já fora discutido neste blog, algumas inovações para a cidade foram desenvolvidas, como: o evento Musa Muriciense 2013, que envolveu todo o comércio de vestuário local; gravação de um documentário para o artesanato; parcerias firmadas com indústrias de diversos segmentos e empresas especializadas na venda de pacotes turísticos, etc. Os esforços da Prefeitura Municipal de Murici, por meio da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo e sua equipe de agentes de desenvolvimento foram marcados por ações diferenciais e, por fim, resultados amplamente satisfatórios.

domingo, 30 de setembro de 2012

“... Traços de calor humano, descontração, espontaneidade, cor, alegria, musicalidade...”

Grupo cultural de percussão popular brasileira Batukenjé (2006). Por João Campello.

Uma das tarefas adotadas por este blog é também fornecer a você, querido leitor (a), acesso a publicações que promovam analises do conceito cultura em todas as suas facetas alcançáveis, sejam estas analises de caráter científico ou meramente subjetivo e emocional sobre possíveis identidades nacionais. Percebendo isso, senti a necessidade de expor um pouco de um livro que acabei de ler e que resgata (se é que esteve esquecido e inutilizado) a teoria da existência de uma identidade nacional, de uma brasilidade efervescente que se destaca em comparação com outros espaços para além de nossos limites territoriais. Vamos ver, a partir de agora, alguns apontamentos do livro Cultura Brasileira da Hospitalidade: reflexões sobre o jeito brasileiro de ser e receber, de 2008, que elenquei como aspectos importantes. A metodologia aqui adotada é dissecar, tópico por tópico, a proposta dos autores e questionar suas investidas.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O teatro da vida e a estranheza na incorporação de novos papéis sociais



Vivemos num grande teatro, encenando papéis sociais de relevâncias diversas, passando de cena em cena, apresentando publicamente nossas atividades, conquistas, desejos, problemas/insatisfações, fúrias, que fortalecem nossos vínculos, reiteram um lugar nas relações e constroem nossos perfis sociais, externos e internos, numa luta contínua por experiências que nos preparem para as próximas peças. Uma das teorias

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A “cultura” é abundante, também em significados



Em vias de divulgar o segundo capítulo do texto Flâneur, iniciado neste blog e de leitura disponível na coluna a esquerda do seu visor, é preciso fazer com que esse espaço exerça um papel de tornar todo o debate em torno das culturas cada vez mais amplo, lúcido e contundente, a partir de inúmeras perspectivas de profissionais ou amadores que se apaixonaram pela temática. Por isso, é indispensável ao

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Flâneur (part.2)


CAPÍTULO 1.2

A Oposição Histórica Entre Cultura Popular e Cultura de Elite.

O tema acima proposto e que opõe cultura popular e cultura de elite para fins de análise teórica e conceitual-metodológica é o prosseguimento de um texto de minha autoria, intitulado *Flâneur, iniciado na estreia do blog Cultura Ao Lado e que pode ser revisitado na listagem lateral de posts deste espaço.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Negro Bom! Negro Arte! Negro é Marte?


Proponho uma reflexão: O opressor levava consigo um gigantesco baú. Resolveu ir até a praia, seguindo seus instintos perversos e sua falsa noção de civilidade, botou os pés na areia e derramou todo o conteúdo do baú nas águas azuis. Deitado na praia está você, está ele, ela, eu... O conteúdo era nada menos que a história do negro que, mesmo com o avanço do acesso a informação, jamais é sabida de maneira completa e satisfatória. Deitados na praia, esperamos que a força das ondas nos traga alguma resposta, alguma verdadeira informação que seja que nos permita seguir em frente, com a plena noção de quem exatamente ergueu um futuro, com o suor no rosto, as mãos cheias de sangue e uma dor que doía na alma. Pouquíssimos são os curiosos que possuem coragem de desbravar esses grandes mares reveladores. Infelizmente,

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Flâneur


CAPÍTULO 1

Entendendo Algumas das Históricas Dicotomias no Campo dos Estudos da Cultura Popular.

Cultura de elite, cultura popular, tradição, progresso, sociedade folclórica, sociedade tecnológica... São apenas alguns dos conceitos antagônicos que se fizeram presentes no longo e ainda ativo debate sobre as culturas dos povos, sobre a discussão do “o que e quem somos?”.