Pouco tempo depois de concluir a leitura do livro Caminhos
da Mãe de Deus, Romeiros do Padre Cícero, do escritor e poeta alagoano Cícero Gomes, e perceber importantes
elementos que ainda hoje sobrevivem no âmago da cultura religiosa do nordeste,
me deparei com uma notícia de mais ou menos uma semana atrás, que divulgava uma
exposição intitulada Meu Padinho Padre Cícero – Em cada casa
um oratório, em cada quintal uma oficina, que ocorreu no Rio de Janeiro.
um oratório, em cada quintal uma oficina, que ocorreu no Rio de Janeiro.
No livro supracitado, Cícero Gomes, com sua linguagem caracteristicamente popular, inicia
uma locução sobre inúmeros lugares, rituais, pessoas, construindo um roteiro dinâmico
de situações que tipicamente compõem a vida do povo de fé, especificamente os seguidores
de Padre Cícero, romeiros
inseparáveis de suas missões. Mas, afinal, o que levou o Rio de Janeiro a
aproximar relações com um componente tão importante da cultura popular
nordestina e fomentar um espaço que promovesse unicamente esse traço religioso
marcante?
Bem, verdade seja dita que a figura inigualável de Padre Cícero enquanto ícone na vida
social, política e religiosa ainda estreita laços, mesmo depois de quase 80
anos de sua morte. Não é à toa que, em 2001, Cícero Romão Batista foi considerado O Cearense do Século, em uma votação promovida pela TV Verdes
Mares, tendo como principal parceira a Rede Globo de Televisão. O Ciço Romão seguiu os passos do rei do baião, rompendo
fronteiras da cultura e da admiração.
A reverência carioca a esse ainda líder nordestino é
um reconhecimento da anual peregrinação de milhares de fiéis, que do rito fortalecem o mito e deixam Padim Ciço cada vez mais vivo. Na
presença de Vitor Ortiz,
ministro-interino do Ministério da
Cultura, era então inaugurada a exposição sobre a vida da lendária figura religiosa,
instalada no Centro Municipal Luiz
Gonzaga de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Além
de Vitor Ortiz, estiveram presentes
na inauguração do dia 17 de junho: o secretário municipal de cultura do Rio de
Janeiro, senhor Emílio Kalil; o
curador da exposição, Emanoel Araújo
e o padre Roberto Magalhães.
Vale a pena conferir o site do Ministério da Cultura e ficar por dentro do andamento e das novidades
que a exposição reservou aos cariocas. Acesse: http://www.cultura.gov.br/site/
Foto: Caru Ribeiro.
