A rara aparição do sol naquele dia parecia
sinalizar que a missão principal seria cumprida: buscar quem trabalhasse com
arte na pacata cidade de Murici. Por
aqui, esses que fazem a cultura nordestina/alagoana/muriciense
acontecer, infelizmente, não são tão acessíveis como se deve imaginar. A falta
de divulgação de suas obras, amparada numa frágil, mas existente, modernização
do comércio local,
deu a esses gênios um ínfimo espaço na sociedade muriciense. E não é por coincidência que o artesão que abre as atividades da nossa Semana do Artesanato Muriciense estava tão afastado de nossos olhares, num pequeno ateliê, localizado no fim da Rua Edvaldo Calheiros Silveira, Nº 02, situada no Conjunto Antenor Marinho de Melo. Seu nome: Coca.
deu a esses gênios um ínfimo espaço na sociedade muriciense. E não é por coincidência que o artesão que abre as atividades da nossa Semana do Artesanato Muriciense estava tão afastado de nossos olhares, num pequeno ateliê, localizado no fim da Rua Edvaldo Calheiros Silveira, Nº 02, situada no Conjunto Antenor Marinho de Melo. Seu nome: Coca.
O senhor Antônio Eurico da Silva, popularmente conhecido como senhor Coca, me recebeu de braços abertos,
como se por um momento suas obras estivessem sendo valorizadas por quem é de
casa, por quem mora ao lado, por quem nasceu aqui. Talvez para nós seja algo simples, mas, pelo que notei, para ele é um reconhecimento diariamente buscado. Cheio de ânimo e com a habilidade de sempre,
passou logo a fazer mais uma de suas peças, confeccionadas de maneira
tradicional, com argila, um legado que herdou do irmão quando tinha apenas 14
anos de idade. Com o passar dos anos, Coca
foi desenvolvendo técnicas próprias e ganhou destaque em diversos municípios do
Estado, e até de fora do Estado, estampando suas obras nas principais feiras,
festivais, eventos, etc. Com uma produção mensal que ultrapassa as 2.000 peças. Coca e seus ajudantes vendem para cidades como Pilar, União dos Palmares e Joaquim Gomes, mas tem como seu principal expositor
o Mercado do Artesanato, de Maceió.
Percebeu? Alguém conseguiu ler Murici
nas cidades listadas logo acima? Não, né?! É exatamente esse um dos grandes
problemas de todo o processo artístico citado por Coca. Segundo o artesão, como muriciense, gostaria muito de ter
mais apoio dos órgãos municipais competentes, para ajudá-lo a expor seus trabalhos
e mostrar ao público local que se tem material de primeira sendo feito às pencas
por aqui. Podemos traduzir essa ajuda,
quase que implorada pelo artesão, como a criação de mais espaços de exposição
desse segmento de produção artesanal, não apenas a manutenção daqueles que já
se encontram no calendário de festas do município. Por exemplo, dentre os
eventos que Coca participou, está o Festival da Natureza, já tradicional na
cidade de Murici e que, vez ou outra, realiza
algumas pequenas feiras de exposição, envolvendo artesãos, empreendedores
locais ou instituições que desenvolvem algum tipo de trabalho beneficente.
Entretanto, por ser anual, é insuficiente para a divulgação de suas obras. Lembra
do post anterior, quando tratamos da temática da regionalização do turismo como
fundamental para o desenvolvimento local? Pois bem, curiosamente para Coca a riqueza desse crescimento não é
verdadeira quando a própria população não conhece o que produz, importa e até exporta. E ele
não está errado!
Coca também
apresenta suas peças nas edições das feiras dos municípios, que ocorrem em Maceió, e impressiona pela qualidade
das obras e sua diversidade.
Para ter uma das peças de Coca, é muito simples. Basta ligar para
o número (82)9324-3043 e negociar
diretamente com ele. Lembrando que a compra é feita apenas em dinheiro.
Até o próximo texto dessa sessão.
Fotos:
Ariston Denison e Wanderson Gomes.

