quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Semana do Artesanato Muriciense no Cultura Ao Lado começa nesta segunda-feira



Olá. Vocês estão bem? Espero que sim.

É com imenso prazer que apresento a primeira sessão de publicações do blog Cultura Ao Lado. E tinha que ser especial, não é mesmo?! A Semana do Artesanato Muriciense no Cultura Ao Lado, que se iniciará na segunda-feira que se aproxima, dia 20 de agosto, tem por objetivo promover ao
público leitor deste espaço virtual o acesso unicamente aos trabalhos de artistas que residem na cidade de Murici/AL. Essa ideia surgiu da necessidade deste humilde blog em divulgar expressões culturais materiais que nascem de dentro desse interior, localizado a 50 km da capital Maceió. O mapeamento do artesanato, embora fortemente estimulado por este, não é uma ação isolada do blog, mas também faz parte de uma proposta maior e complexa de mudança do cenário municipal. Entenda:


A Regionalização do Turismo

A Regionalização do Turismo é um dos macroprogramas do Ministério do Turismo e está dentro do PNT (Plano Nacional de Turismo). O programa tem por objetivo definir regiões como regiões turísticas, promovendo maior organização e ações fortemente planejadas no que se refere o aquecimento da máquina econômica dos municípios e seu Estado em questão. Como primeiro procedimento, o programa de regionalização identifica, a partir dos órgãos competentes envolvidos, um produto com identidade formada ou em potencial para ser trabalhado como chamariz do processo instalado no município ou região. Foi justamente o que germinou nesse ano de 2012 em Murici e aí entra um dos nossos produtos mais importantes e característicos, mas ainda pouco (ou nada) divulgado: o artesanato.

Dentro do plano de regionalização, o município deve investigar cada espaço de serviço turístico em potencial, cada produto a ser oferecido, cada ponto possível de um sistema de atendimento amplo ao visitante e, por fim, mapeá-lo e organizá-lo. No caso da verde Murici, a parte urbana também é imprescindível para incluir o município nessa rota turística nacional, é aí que, por meio de exaustivas apreciações, percebemos que existem inúmeras expressões artísticas, materiais ou imateriais, formais ou informais, que são consumidas por outros municípios e pouco conhecidas por essas bandas. Portanto, além de um simples mapeamento, como dados brutos, importantes nas estatísticas da regionalização, pretendo conversar um pouco mais sobre a realidade desse interior e daqueles que sobrevivem (ou não) dos produtos que produzem. Vamos além... Com essa divulgação, podemos ao menos começar a construir um cardápio genuinamente muriciense de produção artística e tornar indubitável que todos os povos, sem exceção, possuem cultura, sobrevivem ou alimentam alguma técnica de riqueza histórica de produção manual passada de geração em geração. Constantemente se ouve nas esquinas que “por aqui não tem nada de bom...”. Meu desafio é provar o contrário e incorporar a premissa de que tem algo de bom, falta apenas a técnica ou sensibilidade para enxergá-lo.


Expectativas quanto à instauração do plano de regionalização em Murici

Algumas muitas bandeiras são erguidas nas falas entusiasmadas daqueles que acreditam no plano de regionalização, por ser uma ideia forte ao desenvolvimento dos municípios em todo o país. “A regionalização ajuda no crescimento do município...”, “A regionalização divulga os produtos da terra, impondo-lhes organização dentro do comércio, identidade, possibilidades de importação e até exportação...”. Enfim, Murici também vive esse entusiasmo.

Mas, em Artes, Entretenimento e Turismo, de 2004, Howard Hughes é óbvio, mas brilhante em identificar, em algumas de suas investidas teóricas, o quanto as comunidades que ainda guardam resquícios do exótico passam por severas transformações após um processo de “ocidentalização”.  O que espero, em Murici, é que esses artesãos consigam se organizar, especialmente por meio de uma associação, e empreendam com maior facilidade na Zona da Mata alagoana, vendendo seus produtos e sobrevivendo unicamente desse trabalho, que é o que gostam de fazer. Entretanto, sempre existe o risco da descaracterização do que se produz... A madeira é talhada de acordo com as necessidades do turista, não é?! É isso que não se pode permitir. A falta de visualização desse segmento atuou como uma espécie de incubadora de grandes potenciais artísticos, que levam em suas formas, em cada traço, os significados da história desse povo. Isso deve ser preservado a todo custo.

*Principal fonte de pesquisa: http://www.turismo.gov.br

 Abaixo, veja o vídeo do portal Cada Minuto (http://cadaminuto.com.br/sobre a participação de Murici na VI Feira dos Municípios Alagoanos e perceba alguns dos potenciais culturais que falei nesse post.