segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O artesanato em palha do senhor Cícero



Correndo o risco de ser repetitivo, é necessário continuar batendo na seguinte tecla: existem riquezas culturais passíveis de serem identificadas, de serem mapeadas e, portanto, fortemente divulgadas e valorizadas, mas sua busca não é uma missão fácil e será ainda mais difícil com o advento da tecnologização das comunidades com maior velocidade a cada ano. A regra se aplica a absolutamente todos os casos que foram transcritos e que estarão presentes nesta sessão. Um olhar mais apurado permite, indubitavelmente, o conhecimento de habilidades culturais antes desconhecidas. Murici/AL está repleta dessas produções que, como dito no primeiro post, foram alocadas para as periferias da cidade, perdendo espaços para grandes negócios, em centros comerciais e estrategicamente importantíssimos quanto à divulgação.

Levando em conta o nível de dificuldade em se conhecer e relatar a cultura artesanal deste município, é que tenho a enorme satisfação em apresentar uma das minhas histórias prediletas dessa Semana do Artesanato Muriciense no Cultura ao Lado, a saber: as produções do senhor Cícero. Veja algumas imagens:






Para ser extremamente justo, devo dar todos os créditos desta descoberta do artesanato local aos olhos treinados de um importante colaborador deste humilde blog, o fotógrafo e agora Agente de Desenvolvimento municipal, Ariston Denison. Em uma caminhada de reconhecimento e mapeamento das potencialidades artesanais do município, Ariston, passando pela Rua João Pessoa, avistou umas cestas de palha penduradas na frente de uma casa de número 34, de difícil localização. Rapidamente parou e destacou aquele trabalho que, seguindo sua intuição, poderia ser confeccionado pelo próprio morador ou moradora da casa. Não deu outra! Dirigindo-se a residência, Ariston teve a certeza de que ali morava um artesão. Um contratempo inicial obrigou o fotógrafo a voltar em outro momento, desta vez sem a minha presença. Foi então que conheceu o senhor Cícero Pedro da Silva, pouco (ou nada) conhecido pelos moradores enquanto artesão.

Desenvolvendo trabalhos de encher os olhos com palha, titara e fibra do dendê, o senhor Cícero Pedro da Silva jamais participou de cursos, concursos culturais ou desfrutou de qualquer espaço de comercialização e promoção de produtos deste segmento. Entre os trabalhos mensais, são feitas algumas peças a pedido, não há uma estimativa correta justamente pela variabilidade da procura. Veja mais imagens:





Produzindo em casa, num espaço humilde, o senhor Cícero não cedeu nenhum contato específico para pedidos, especialmente por trabalhar com vendas apenas para amigos, vizinhos e outros mais próximos. No entanto, este blog está disponível a direcionar interessados para as peças desejadas ao senhor Cícero. Deixo o contato para facilitar a negociação: contato@culturaaolado.com

Até a próxima!