Muito se fala de cultura, material ou
imaterial, da sua importância para a resistência histórica das comunidades que
a desenvolve, da identidade que ainda carrega consigo e que permanece viva ao
longo das décadas. Entretanto, como realmente obter lucros com a cultura,
garantindo o sustento daqueles que tanto se esforçam para produzi-la? Não precisa ser um profundo conhecedor no assunto pra saber que os pequenos produtores de
utensílios artesanais, por exemplo, estão se dedicando a outras atividades e
largando um ofício muitas vezes passado por gerações familiares, e o fazem
principalmente pela ausência de mínimas condições econômicas que impede a
continuidade dos trabalhos, seja na compra da matéria-prima ou sustento próprio.
É preciso sim lucrar com a cultura. É preciso lucrar, ao menos, num ritmo que
formalize o negócio e que promova sua continuação. Afinal de contas, se as
expressões culturais materiais e imateriais da cultura alagoana são tão
importantes para a existência da nossa “cara” cultural, este segmento deve ser
priorizado com atenção eficaz.
Não tenho a pretensão de dar fórmulas
para se ganhar dinheiro com a cultura ou coisa parecida. Minha experiência
quanto ao tema relacionado à economia e cultura não é tão vasta. Mas, é bem
verdade que durante as minhas atuações como Agente de Desenvolvimento Municipal durante dois anos, pude presenciar a implantação de uma importante
ferramenta de auxílio, de reunião de forças produtivas e de ideias, de organização
e promoção de estratégias capazes de criar condições mínimas ao êxito de um
negócio: o APL. O Arranjo Produtivo Local (APL) será a centralidade desta
sequência de textos que publicarei no blog, não por conter cálculos exatos de
como se trabalhar a cultura em expectativa de lucros satisfatórios, mas sim por
ser uma tática, normalmente desenvolvida pelas secretarias de planejamento de
cada Estado, a dar mais frutos. Em Alagoas,
os APL’s são implantados segundo a Secretaria do Planejamento e do
Desenvolvimento Econômico (Seplande). Seguindo o rastro de muito sucesso em
várias outras áreas, eis que surgiu em Maceió
o APL Cultura em Jaraguá, resultado
de importantes ações de capacitação e estímulo realizadas desde os anos 2000, seja com jovens interessados no
tema ou trabalhadores ainda na informalidade do negócio. E é precisamente sobre
esse exemplo a que vou me deter nesta sessão que tanto me animo em elaborar.
Mais que uma sessão, é uma mínima
contribuição que pretende divulgar resultados e depoimentos de especialistas
que percebem a elaboração desses arranjos produtivos como importantíssimos
centros perpetuadores de uma cultura organizada, que concede ganhos a quem
produz e anima outros potenciais produtores. A partir de mais três textos, vou
trabalhar a relação não dicotômica entre cultura
e economia, passível de cometer
erros, mas sempre no intuito de fornecer bases que justifiquem o
desenvolvimento de APL’s também em
outras localidades alagoanas com potencial cultural e turístico comprovado,
assim como ocorreu no exemplo seguido do bairro de Jaraguá, na capital.
Espero que gostem da sessão. Até lá!
