domingo, 28 de outubro de 2012

Sessão Empreendedorismo Cultural: texto de abertura



Muito se fala de cultura, material ou imaterial, da sua importância para a resistência histórica das comunidades que a desenvolve, da identidade que ainda carrega consigo e que permanece viva ao longo das décadas. Entretanto, como realmente obter lucros com a cultura, garantindo o sustento daqueles que tanto se esforçam para produzi-la? Não precisa ser um profundo conhecedor no assunto pra saber que os pequenos produtores de utensílios artesanais, por exemplo, estão se dedicando a outras atividades e largando um ofício muitas vezes passado por gerações familiares, e o fazem principalmente pela ausência de mínimas condições econômicas que impede a continuidade dos trabalhos, seja na compra da matéria-prima ou sustento próprio. É preciso sim lucrar com a cultura. É preciso lucrar, ao menos, num ritmo que formalize o negócio e que promova sua continuação. Afinal de contas, se as expressões culturais materiais e imateriais da cultura alagoana são tão importantes para a existência da nossa “cara” cultural, este segmento deve ser priorizado com atenção eficaz.

Não tenho a pretensão de dar fórmulas para se ganhar dinheiro com a cultura ou coisa parecida. Minha experiência quanto ao tema relacionado à economia e cultura não é tão vasta. Mas, é bem verdade que durante as minhas atuações como Agente de Desenvolvimento Municipal durante dois anos, pude presenciar a implantação de uma importante ferramenta de auxílio, de reunião de forças produtivas e de ideias, de organização e promoção de estratégias capazes de criar condições mínimas ao êxito de um negócio: o APL. O Arranjo Produtivo Local (APL) será a centralidade desta sequência de textos que publicarei no blog, não por conter cálculos exatos de como se trabalhar a cultura em expectativa de lucros satisfatórios, mas sim por ser uma tática, normalmente desenvolvida pelas secretarias de planejamento de cada Estado, a dar mais frutos. Em Alagoas, os APL’s são implantados segundo a Secretaria do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande). Seguindo o rastro de muito sucesso em várias outras áreas, eis que surgiu em Maceió o APL Cultura em Jaraguá, resultado de importantes ações de capacitação e estímulo realizadas desde os anos 2000, seja com jovens interessados no tema ou trabalhadores ainda na informalidade do negócio. E é precisamente sobre esse exemplo a que vou me deter nesta sessão que tanto me animo em elaborar.

Mais que uma sessão, é uma mínima contribuição que pretende divulgar resultados e depoimentos de especialistas que percebem a elaboração desses arranjos produtivos como importantíssimos centros perpetuadores de uma cultura organizada, que concede ganhos a quem produz e anima outros potenciais produtores. A partir de mais três textos, vou trabalhar a relação não dicotômica entre cultura e economia, passível de cometer erros, mas sempre no intuito de fornecer bases que justifiquem o desenvolvimento de APL’s também em outras localidades alagoanas com potencial cultural e turístico comprovado, assim como ocorreu no exemplo seguido do bairro de Jaraguá, na capital.

Espero que gostem da sessão. Até lá!