segunda-feira, 22 de abril de 2013

Conhecimento



O conhecimento é algo imprescindível mesmo, não é?! Andei pensando muito sobre isso depois de algumas descobertas desse fim de semana.

O conhecimento nos condiciona para novos estágios da vida. Dá sentido a cada caminhada diária. Se coloca como luz no fim do túnel escuro da falta de compreensão do mundo e seus mistérios. É o conhecimento que nos permite ser quem somos hoje e é sempre algo mais que ontem (não existindo, portanto, decréscimo de conhecimento). São as nossas oportunidades de conhecimento que explicam o que deveremos ser. “Deveremos”? Isso não é meio determinista? Sim. É por isso que temos a opção de ser quem quisermos ser, mas só o seremos através do conhecimento e, tão importante quanto, através das ferramentas de busca do conhecimento que se firmam em nossas trajetórias.


Ontem descobri um novo trabalho do geógrafo brasileiro Milton Santos, que não é estudado com afinco na minha área, mas que ouvi alguém dizer que era um trabalho pertinente. Viu só? O conhecimento veio até mim através de uma remota probabilidade, de um “alguém”, de uma circunstância informal isolada. Talvez eu morresse sem nunca ter lido esse trabalho.

Milton Santos.

Hoje, meu amigo me lembrou do documentário que eu deveria assistir... Chama-se Searching For Sugar Man. É uma produção premiada sobre o músico mexicano-americano Sixto Rodriguez. Aí, antes mesmo de assistir ao documentário, ouvi o álbum Coming From Reality desse mesmo músico pela primeira vez e virei um grande admirador. E se eu morresse sem jamais ouvi-lo como muitos morrerão? Como eu sentiria as vibrações internas no meu corpo, que transcende o biológico? Aquele gosto de viver que a música me causa jamais seria reproduzido, jamais seria pulsado nas minhas veias.

"Coming From Reality" - Rodriguez.

Percebem a importância do conhecimento, do “conhecer algo”? Percebem que ainda existem pessoas que não estão na “Era da Informação” como nós e consequentemente não possuem tais oportunidades? Pessoas essas que são privadas das ferramentas supracitadas? Percebem o quão trágico é a situação educacional de Alagoas, por exemplo? Como ainda podem tratar a educação como não-prioridade governamental em pleno tempo de agudo desenvolvimento técnico-científico?

Viram? O conhecimento transforma vidas. Conhecer determinados livros já resolveu questões que as pessoas próximas a mim não sabiam solucionar. Ir ao cinema e compreender as linguagens sociais de cada ritual me impediu de enlouquecer em épocas de provas na universidade (cursada graças ao sucesso em um processo seletivo que testa conhecimentos). Me envolver em novos projetos, conhecer outras culturas, absorver novas linguagens... Absolutamente tudo de novo que eu faço me transforma e me posiciona em uma condição jamais alcançável sem conhecimento.

Mas, por ser valioso, o conhecimento não é comercializável (ao contrário do que pensam os sucateadores da educação no país). Ele é valioso, mas de preço incalculável. Para gozar de suas maravilhas é preciso dominar ferramentas (tratadas anteriormente) que se apresentam a nós por meio da educação familiar, educação formal do Estado (a quem tanto depositamos e pouco recebemos), num circulo aberto de amizades, nas relações com outros agentes, a quem dependemos de serviços profissionais especializados, etc. etc..

Crescemos com medo. Medo do escuro. Da intolerância religiosa. Do conservadorismo burro implantado em cada voz machista que nos ordenavam confiar na “lei natural” de submissão da mulher ao homem. Medo! Medo! Mas o conhecimento, meus amigos e amigas, nos liberta desse medo. Nos ensina que a vida é curta, mas que podemos (mesmo que brevemente) desfrutar de sua pluralidade de coisas absurdamente interessantes e reveladoras.

Agora, pense comigo: o conhecimento é absorvido, moldado e, logicamente, produzido e reproduzido para outras pessoas, numa rede ilimitada de relações sociais (determinadas por trajetórias individuais). Agora, pense um pouco mais a fundo: quanto de conhecimento você disseminou por aí no dia de hoje? Esse é o sentido encoberto no meu texto... A educação em Alagoas é um problema? Sim! Vamos deixar de tentar reverter essa situação? Não! Mas dou uma proposta de acréscimo: que tal disseminar conhecimento? O que você sabe? Pode me ensinar algo interessante hoje? Pode ensinar algo interessante pra qualquer pessoa?

*Conhecimento não apenas científico, claro! Todo conhecimento é digno de ser apreendido (como já vimos). As trajetórias de vida são ímas de formas de relações fascinantes.

Se conhecimento liberta, que tal libertar alguém? Mas não vá naquela ideologia compulsório-quantitativa dos que “buscam somar almas para Cristo”. Não, não é isso! Liberte alguém, mas o faça por amor a liberdade... Por amor ao conhecimento. Saia da comodidade do seu grupo fechado e abra a mente para a possibilidade de ensinar e também aprender com novos grupos.

O conhecimento matemático me ensinou que usei neste único texto a palavra “conhecimento” 31 vezes (contando com o título). O conhecimento linguístico me fez saber que “conhecimento” é uma palavra da língua portuguesa que significa resumidamente: “ato ou efeito de abstrair alguma coisa”. Em inglês, o termo usado é “knowledge”, em francês é “connaissance”, em espanhol é “conocimiento”, em alemão é “wissen”, e por aí vai... Para Sócrates, nossas verdades só podem ser desveladas por meio da razão. Para ele, o conhecimento é a liberdade que nos livra da ignorância. Para Aristóteles, conhecimento era o segredo de superação, destaque, sucesso, conquistas. Weber estudou as lógicas do conhecimento quando captou a ideia de objetividade... Mas você tem sua noção de conhecimento por ter conhecido outras formas de chegar na resposta da pergunta: do que trata esse conceito?

Conhecimento é valioso e você precisa presentear alguém imediatamente.

Pense nisso!