O
conhecimento é algo imprescindível mesmo, não é?! Andei pensando muito sobre
isso depois de algumas descobertas desse fim de semana.
O
conhecimento nos condiciona para novos estágios da vida. Dá sentido a cada
caminhada diária. Se coloca como luz no fim do túnel escuro da falta de
compreensão do mundo e seus mistérios. É o conhecimento que nos permite ser
quem somos hoje e é sempre algo mais que ontem (não existindo, portanto,
decréscimo de conhecimento). São as nossas oportunidades de conhecimento que
explicam o que deveremos ser. “Deveremos”?
Isso não é meio determinista? Sim. É por isso que temos a opção de ser quem
quisermos ser, mas só o seremos através do conhecimento e, tão importante
quanto, através das ferramentas de busca do conhecimento que se firmam em
nossas trajetórias.
Ontem
descobri um novo trabalho do geógrafo brasileiro Milton Santos, que não é estudado com afinco na minha área, mas que
ouvi alguém dizer que era um trabalho pertinente. Viu só? O conhecimento veio
até mim através de uma remota probabilidade, de um “alguém”, de uma circunstância informal isolada. Talvez eu morresse
sem nunca ter lido esse trabalho.
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| Milton Santos. |
Hoje,
meu amigo me lembrou do documentário que eu deveria assistir... Chama-se Searching For Sugar Man. É uma produção premiada
sobre o músico mexicano-americano Sixto
Rodriguez. Aí, antes mesmo de assistir ao documentário, ouvi o álbum Coming From Reality desse mesmo músico pela
primeira vez e virei um grande admirador. E se eu morresse sem jamais ouvi-lo
como muitos morrerão? Como eu sentiria as vibrações internas no meu corpo, que
transcende o biológico? Aquele gosto de viver que a música me causa jamais
seria reproduzido, jamais seria pulsado nas minhas veias.
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| "Coming From Reality" - Rodriguez. |
Percebem
a importância do conhecimento, do “conhecer algo”? Percebem que ainda existem
pessoas que não estão na “Era da Informação”
como nós e consequentemente não possuem tais oportunidades? Pessoas essas que
são privadas das ferramentas supracitadas? Percebem o quão trágico é a situação
educacional de Alagoas, por exemplo? Como ainda podem tratar a educação como
não-prioridade governamental em pleno tempo de agudo desenvolvimento
técnico-científico?
Viram?
O conhecimento transforma vidas. Conhecer determinados livros já resolveu
questões que as pessoas próximas a mim não sabiam solucionar. Ir ao cinema e
compreender as linguagens sociais de cada ritual me impediu de enlouquecer em
épocas de provas na universidade (cursada graças ao sucesso em um processo
seletivo que testa conhecimentos). Me envolver em novos projetos, conhecer
outras culturas, absorver novas linguagens... Absolutamente tudo de novo que eu
faço me transforma e me posiciona em uma condição jamais alcançável sem
conhecimento.
Mas,
por ser valioso, o conhecimento não é comercializável (ao contrário do que
pensam os sucateadores da educação no país). Ele é valioso, mas de preço
incalculável. Para gozar de suas maravilhas é preciso dominar ferramentas (tratadas
anteriormente) que se apresentam a nós por meio da educação familiar, educação formal
do Estado (a quem tanto depositamos e pouco recebemos), num circulo aberto de
amizades, nas relações com outros agentes, a quem dependemos de serviços
profissionais especializados, etc. etc..
Crescemos
com medo. Medo do escuro. Da intolerância religiosa. Do conservadorismo burro implantado
em cada voz machista que nos ordenavam confiar na “lei natural” de submissão da mulher ao homem. Medo! Medo! Mas o
conhecimento, meus amigos e amigas, nos liberta desse medo. Nos ensina que a
vida é curta, mas que podemos (mesmo que brevemente) desfrutar de sua
pluralidade de coisas absurdamente interessantes e reveladoras.
Agora,
pense comigo: o conhecimento é absorvido, moldado e, logicamente, produzido e
reproduzido para outras pessoas, numa rede ilimitada de relações sociais (determinadas
por trajetórias individuais). Agora, pense um pouco mais a fundo: quanto de
conhecimento você disseminou por aí no dia de hoje? Esse é o sentido encoberto
no meu texto... A educação em Alagoas é um problema? Sim! Vamos deixar de
tentar reverter essa situação? Não! Mas dou uma proposta de acréscimo: que tal
disseminar conhecimento? O que você sabe? Pode me ensinar algo interessante
hoje? Pode ensinar algo interessante pra qualquer pessoa?
*Conhecimento não apenas científico, claro! Todo
conhecimento é digno de ser apreendido (como já vimos). As trajetórias de vida são
ímas de formas de relações fascinantes.
Se
conhecimento liberta, que tal libertar alguém? Mas não vá naquela ideologia compulsório-quantitativa
dos que “buscam somar almas para Cristo”.
Não, não é isso! Liberte alguém, mas o faça por amor a liberdade... Por amor ao
conhecimento. Saia da comodidade do seu grupo fechado e abra a mente para a
possibilidade de ensinar e também aprender com novos grupos.
O
conhecimento matemático me ensinou que usei neste único texto a palavra “conhecimento” 31 vezes (contando com o
título). O conhecimento linguístico me fez saber que “conhecimento” é uma palavra da língua portuguesa que significa
resumidamente: “ato ou efeito de abstrair
alguma coisa”. Em inglês, o termo usado é “knowledge”, em francês é “connaissance”,
em espanhol é “conocimiento”, em
alemão é “wissen”, e por aí vai...
Para Sócrates, nossas verdades só
podem ser desveladas por meio da razão. Para ele, o conhecimento é a liberdade
que nos livra da ignorância. Para Aristóteles,
conhecimento era o segredo de superação, destaque, sucesso, conquistas. Weber estudou as lógicas do
conhecimento quando captou a ideia de objetividade... Mas você tem sua noção de
conhecimento por ter conhecido outras formas de chegar na resposta da pergunta:
do que trata esse conceito?
Conhecimento
é valioso e você precisa presentear alguém imediatamente.
Pense
nisso!


