segunda-feira, 28 de maio de 2012

Primeiro encontro do projeto "Fortalecimento da Gestão das Micro e Pequenas Empresas do Turismo Brasileiro" é realizado em União dos Palmares.

O projeto acima intitulado será uma intervenção a nível nacional. São cerca de 40 palestras por todo o país, com um prazo estimado de execução que irá até outubro do corrente ano. O Cultura Ao Lado esteve presente na primeira palestra, que foi realizada em solo alagoano, no dia 14 desse mês de maio, segunda-feira, em União dos Palmares.  A prioridade em questão é a micro e pequena empresa, já que dados
apontam que são esses segmentos empresariais os formadores de incríveis 94% engajados no ramo de turismo do país, merecendo, portanto, um olhar mais centralizado e preparador. O evento, apoiado pelo SEBRAE e pela CNtur (Confederação Nacional do Turismo), esta última a representante a nível nacional da categoria econômica e produtiva do turismo, teve como palestrante o Gestor de Informação da USP, senhor Edson Fermann.

O projeto em questão prevê:

·         Qualidade de atendimento;
·         Finanças das empresas;
·         Gestão de pessoa;
·         Como vender mais e melhor;
·         Gestão estratégica;
·         Gestão de processos;
·         Alimento estratégico;
·         Mercado turístico;
·         Formalização de novas empresas turísticas;
·         Inovação e sustentabilidade.



Dentre os muitos segmentos turísticos rapidamente trabalhados por Fermann, o turismo cultural, como o étnico e religioso, por exemplo, chamou a atenção.

A proposta central do palestrante é alertar os donos de estabelecimentos que recebem o turista da importância em aplicar alterações na prestação de serviços que permitam a ampliação do público a ser atendido.  Entretanto, faltou a Fermann trabalhar melhor o tema de um dos grandes entraves para o desenvolvimento extensivo do turismo no solo nordestino, seja na importação ou exportação de sua identidade cultural: as enchentes. Esses fenômenos que devastam os negócios já estabilizados e suas estruturas, por vezes forçou a reconstrução de cidades alagoanas que ainda se recuperavam de catástrofes anteriores.

Mas, para além desse aspecto natural e muito influenciado pela desenfreada e desorganizada urbanização, para se pensar em melhoria das vias que comercializam a cultura, permitindo a sobrevivência de seus produtores (sendo essencial que não a deturpe, ou seja, que não elimine seus traços característicos), é preciso contar com outras áreas da sociedade, que estão acima da organização dos donos de hotéis, restaurantes, padarias etc. Ou seja, garantia de segurança e saúde, por exemplo, são elementos básicos para os aventureiros que se prestam a conhecer e consumir nossas belezas, nossas produções artesanais, nossa fé e nossos traços, ainda em muitos interiores, coloniais.

Por essas e outras, não basta dizer, por exemplo, que a França, que tem em média o mesmo território de Minas Gerais, fatura mais de 80 milhões de dólares anualmente com o turismo. As diferenças de conjuntura e a atrasada fórmula da prestação de serviços começam na escola e é infelizmente garantida pelo governo através de direitos básicos ainda não fornecidos. A reformulação do nosso mercado turístico para além das barreiras do carnaval (samba), do futebol e da mulher bonita se inicia com a reformulação social. Sem as responsabilidades mínimas não sendo garantidas, é difícil estimular o povo a consumir um entretenimento que está ao lado. Mais seguro é sentar no sofá e ver o que nos oferecem pela TV. 


Até a próxima! 

Fotos: Ariston Denison.