segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dia Nacional da Cultura (05/11): somos a cultura, respiramos a cultura, vivemos a cultura... Uma homenagem aos que materializam sonhos



Em 1849 nasceu o brilhante político, jurista, escritor, diplomata e membro fundador da Academia Brasileira de Letras Rui Barbosa (falecido em 1923). Com ele, nasceram outras muitas formas de enxergar a sociedade, muitas formas de materializar esses pensamentos e muitas formas, portanto, de explicar quem somos e por onde deveríamos seguir, através de uma notável intelectualidade para se manusear técnicas de várias áreas profissionais. Rumou em favor do federalismo e do abolicionismo, sendo pioneiro em sua maneira de pensar e agir, revolucionando, ao seu modo, um tempo de outros tempos.

Em contextos mais distantes, muitos e muitos outros formatos de homenagem foram adotados, como uma maneira nacional de agradecer a todos os serviços prestados por Rui Barbosa, figura destacável, politizada, pensadora, brilhante jornalista e advogado. Numa dessas homenagens, a data de seu nascimento ficou ligada as comemorações do Dia da Cultura no Brasil: 05 de novembro. Todos os anos, a Fundação Casa Rui Barbosa (FCRB), localizada no Rio de Janeiro, entrega a Medalha Rui Barbosa para personalidades que se destacam em serviços prestados para a cultura nacional. Veja os homenageados deste ano de 2012: Luciano Coutinho, Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Marcelo Moreira Prado, procurador; Márcia Nogueira Batista, arquiteta/paisagista; Sérgio de Morais, contador e colaborador da Associação dos Amigos da Casa de Rui Barbosa; além dos servidores Leila Estephanio de Moura, Benjamim Albagli e João Miguel Latorre Xavier.

Neste dia marcante, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff realiza mais uma edição da Ordem do Mérito Cultural, que teve início em 1995, e é considerada a mais importante honraria aos prestadores de serviços da cultura nacional... Festa pomposa repleta de brilho, que já homenageou 500 personalidades e premiou 60 instituições.

Essas atividades espalhadas pelos principais Estados do Brasil são uma marca registrada desse 05 de novembro e é um lado da cultura nacional que é fortemente veiculada nos mais diversos meios de comunicação. No entanto, tem outro lado da cultura material e imaterial que dificilmente se divulga... Aquele que nós presenciamos no dia-a-dia de nossas rotinas, num Estado coronelista ainda rodeado de miséria e falta dos direitos basilares ao indivíduo.

No universo cultural, o ato de homenagear certa instituição ou personalidade é convertida em status de heroísmo. A homenagem é também uma ação que legitima pessoas físicas ou jurídicas que travaram certas batalhas em campo hostil, e obtiveram êxito. Assim é o campo da cultura no Brasil, especialmente em Alagoas... Hostil. E muitos desses potenciais produtivos estão se perdendo num fluxo bem maior do que as ações de reconhecimento. Todos os dias, projetos e instituições morrem. Todos os dias, produtores e produtoras culturais largam o ofício (sem repassá-lo, pois não desejam o salário de fome ao próximo) e se dedicam a outras atividades que não os representam, muito menos representam a história de suas comunidades. Todos os dias, a atitude de pensar a cultura como meramente atividade de lazer e filantrópica acaba com as esperanças de continuidade, de triunfo, de representação de quem somos. Para se pensar a cultura é preciso pensar, e pensar também faz libertar... O pessoal do topo da hierarquia teme isso. A cultura é a nossa representação. É o que ainda nos torna humanos. É o que deixa nossos registros nesse mundo... O que nos diferencia dos outros animais. Já ouvi muitas vezes aqui na minha cidade que cultura não enche barriga... Mas, pergunto: somente comida enche o ser humano?

É por isso que estou me afastando do glamour de certas realidades culturais em que vivemos. Estou me afastando, junto com esse blog, dos carnavais de classe alta, das festas de hierarquias bem delimitadas e de consumo que seleciona somente abastados, dos espaços de lazer selecionistas e unilaterais que promovem a reprodução e não a libertação do conhecimento, da imaginação e da ação. Estou me afastando, pois as expressões periféricas/marginais são provas de condutas que ainda carregam consigo certo teor de um simbolismo que me faz lembrar das lutas e conquistas do nosso povo. Nem o medo dessas expressões alternativas/independentes se tornarem tendências num futuro próximo me afasta dos olhos da comunidade. É exatamente por isso que, nesse Dia Nacional da Cultura, prefiro fazer uma singela homenagem a alguns dos muricienses (gente da minha terra) que por aqui passaram, nesses cinco meses de Cultura ao Lado, e que ainda sobrevivem, resistem bravamente. Esses que são anônimos lá fora, esses que investem, mesmo que com extrema dificuldade, em si mesmos, esses que são a resistência das tradições do nosso povo... Do povo de Murici... Do povo alagoano e brasileiro. A esses que esculpem sonhos, que cantam músicas de esperança, que criticam suas realidades através da arte, que são quase semideuses por fazerem coisas inimagináveis com as próprias mãos, que enriquecem nossas vidas com cor e entusiasmo quase que de outros mundos... A esses, que se desmancham em lágrimas com um simples “Parabéns! Ficou lindo...” (pagamento maior para eles não há!). A esses, que me fizeram apaixonar e desenvolver esse projeto.

Aos que foram lembrados aqui e aos que aqui ainda não passaram, o meu muito obrigado!

Viva a cultura alagoana! Viva a cultura brasileira!

Cavalhada muriciense. Uma das riquezas culturais que ainda vive. Por Wanderson Gomes.

Pintura em tecidos, da dona Marlene. Por Ariston Denison.

Trabalho de artesanato desenvolvido por aqueles que formam a CAPS - Murici. Por Ariston Denison.

Senhor Sebastião. Compositor e contador de histórias de Murici. Por Wanderson Gomes. 

Senhor Cícero. Artesão. Por Ariston Denison.

Arraiá colorido da AMADOS. Por Ariston Denison.

Senhor Coca. Artesanato em barro. Por Ariston Denison.

Equipe da CAPS - Murici. Venda das peças artesanais produzidas. Por Ariston Denison.