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| Praça Padre Cícero vista do alto, em Murici-AL. Imagem de Trilha Mania. |
Atrelado
a diversos protestos pelo país, a população da cidade de Murici, no interior de Alagoas,
passou a perceber a importância de ter voz ativa no debate político. Mesmo se
manifestando nas ruas uma única vez, através da caminhada pela paz (17/06), que
levou mais de 2 mil pessoas às ruas para reivindicar maior segurança numa terra
fortemente atingida pela generalização da criminalidade, as pressões não cessaram
nas redes sociais. Percebendo o momento de grandes transformações, a população
passou a dar ideias em favor de uma cidade melhor, cobrando veementemente
respostas das lideranças municipais. Na rede social Facebook, a indignação era
visível e incansável. Diversos textos traduziam a insatisfação pelos fins de
semana sangrentos e pela falta de perspectivas de recursos para se viver
melhor.
Percebendo
a necessidade de discutir o funcionamento sadio dos mais variados pólos
sociais, a Câmara de Vereadores de
Murici, pela primeira vez em sua história, aderiu a realidade das
audiências públicas para discutir, junto da população presente, ideias para
compor a Lei de Diretrizes Orçamentárias
do município (LDO), que tem por
objetivo distribuir organizadamente finanças e responsabilidades que garantam o
bom funcionamento de diversos âmbitos da sociedade, como saúde, segurança, educação,
esporte e cultura, qualidade de acessos urbanos e patrimônios, garantindo
objetivos e metas da administração pública.
As
sessões, realizadas nos dias 04, 05 e 08
desse mês de julho, foram presididas pelo vereador Marcos Tenório e contaram com a participação de populares e
vereadores que discutiram o direcionamento dos recursos de forma aberta, democrática
e extremamente produtiva. Dentre muitas propostas, importantes ideias sobre a
veiculação das reuniões, que pediam a divulgação mais abrangente dos encontros,
bem como a de redirecionar audiências públicas para um local que comportasse mais
populares, percebendo que por diversas vezes pessoas ficaram do lado de fora do
prédio pelo limitado tamanho do local. Mas, mesmo com esses problemas
estruturais, as reuniões foram objetivas e geraram boas discussões e
possibilidades para o município.
Como
um incansável defensor da cultura, também dei minhas contribuições, lembrando
desse segmento tão sucateado nessa cidade. Dentre muitos aspectos que pude
citar, estava o apoio para a produção artesanal-artística no município. Muito
se espera da luta das autoridades contra a criminalidade nesse interior de 27
mil habitantes, mas pouco se compreende sobre o desenvolvimento de estratégias que
os garantam pensar essa luta em longo prazo. O jovem que comete crimes é produto
de algo, é resultado, sobretudo, das condições materiais que acessa ao longo de
sua história. Pensar em Murici hoje
é pensar em uma terra fadada ao ostracismo perpetuo. Não existem opções sócio-culturais
para que nossos jovens se desvencilhem do universo do tráfico. Nossa educação é
limitada e nosso mercado de trabalho é praticamente inexistente, restando
apenas uma ociosidade que agride aqueles que têm direito a ter opções. É
justamente esse o desafio de se pensar a cultura. Fazer cultura material é
também gerar mercado. Como explicitei em sessão, é preciso pôr fim nessa
abstração de que arte é feita de graça. Nesse sentindo, para formação de uma
nova via de comercialização e nova opção profissional para jovens ociosos,
podemos pensar num esquema básico:
1.
Mapeamento da
produção local;
2.
Formalização dos
locais de produção e dos produtores;
3.
Inclusão da
produção local no calendário anual de eventos municipais;
4. Criação de
eventos específicos para divulgação e comercialização desse segmento da
produção;
5.
Criação de plataformas
online para comercialização dos produtos;
6. Transmissão do
ofício por meio da formalização de cursos e educadores, extraídos de dentro do
próprio segmento produtivo;
7.
Criação de um
fundo para a cultura.
No
próximo dia 18 (quinta-feira), às 19h30, o resultado de todos esses espaços de construção
será publicizado na câmara e a lei, então, votada. Será o momento mais importante até
aqui. Depois disso, é cobrar que as verbas previstas sejam direcionadas e a lei
devidamente cumprida em todos os seus aspectos.
Para
conferir na integra o material desenvolvido por mim e entregue para análise na
Câmara de Vereadores de Murici, é só seguir o link>>> “Audiência pública: debate sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias do município de Murici – AL”
As
propostas desse documento são passíveis de incorporação na lei. Vamos pressionar
para que a cultura tenha seu merecido lugar de destaque, ao lado de outras
questões cruciais e emergenciais nesse momento histórico de Murici.
