domingo, 14 de julho de 2013

Enfim, enxergaram a cultura: a perspectiva de transformação em Murici

Praça Padre Cícero vista do alto, em Murici-AL. Imagem de Trilha Mania. 

Atrelado a diversos protestos pelo país, a população da cidade de Murici, no interior de Alagoas, passou a perceber a importância de ter voz ativa no debate político. Mesmo se manifestando nas ruas uma única vez, através da caminhada pela paz (17/06), que levou mais de 2 mil pessoas às ruas para reivindicar maior segurança numa terra fortemente atingida pela generalização da criminalidade, as pressões não cessaram nas redes sociais. Percebendo o momento de grandes transformações, a população passou a dar ideias em favor de uma cidade melhor, cobrando veementemente respostas das lideranças municipais. Na rede social Facebook, a indignação era visível e incansável. Diversos textos traduziam a insatisfação pelos fins de semana sangrentos e pela falta de perspectivas de recursos para se viver melhor.


Percebendo a necessidade de discutir o funcionamento sadio dos mais variados pólos sociais, a Câmara de Vereadores de Murici, pela primeira vez em sua história, aderiu a realidade das audiências públicas para discutir, junto da população presente, ideias para compor a Lei de Diretrizes Orçamentárias do município (LDO), que tem por objetivo distribuir organizadamente finanças e responsabilidades que garantam o bom funcionamento de diversos âmbitos da sociedade, como saúde, segurança, educação, esporte e cultura, qualidade de acessos urbanos e patrimônios, garantindo objetivos e metas da administração pública.

As sessões, realizadas nos dias 04, 05 e 08 desse mês de julho, foram presididas pelo vereador Marcos Tenório e contaram com a participação de populares e vereadores que discutiram o direcionamento dos recursos de forma aberta, democrática e extremamente produtiva. Dentre muitas propostas, importantes ideias sobre a veiculação das reuniões, que pediam a divulgação mais abrangente dos encontros, bem como a de redirecionar audiências públicas para um local que comportasse mais populares, percebendo que por diversas vezes pessoas ficaram do lado de fora do prédio pelo limitado tamanho do local. Mas, mesmo com esses problemas estruturais, as reuniões foram objetivas e geraram boas discussões e possibilidades para o município.

Como um incansável defensor da cultura, também dei minhas contribuições, lembrando desse segmento tão sucateado nessa cidade. Dentre muitos aspectos que pude citar, estava o apoio para a produção artesanal-artística no município. Muito se espera da luta das autoridades contra a criminalidade nesse interior de 27 mil habitantes, mas pouco se compreende sobre o desenvolvimento de estratégias que os garantam pensar essa luta em longo prazo. O jovem que comete crimes é produto de algo, é resultado, sobretudo, das condições materiais que acessa ao longo de sua história. Pensar em Murici hoje é pensar em uma terra fadada ao ostracismo perpetuo. Não existem opções sócio-culturais para que nossos jovens se desvencilhem do universo do tráfico. Nossa educação é limitada e nosso mercado de trabalho é praticamente inexistente, restando apenas uma ociosidade que agride aqueles que têm direito a ter opções. É justamente esse o desafio de se pensar a cultura. Fazer cultura material é também gerar mercado. Como explicitei em sessão, é preciso pôr fim nessa abstração de que arte é feita de graça. Nesse sentindo, para formação de uma nova via de comercialização e nova opção profissional para jovens ociosos, podemos pensar num esquema básico:

1.      Mapeamento da produção local;
2.      Formalização dos locais de produção e dos produtores;
3.      Inclusão da produção local no calendário anual de eventos municipais;
4.  Criação de eventos específicos para divulgação e comercialização desse segmento da produção;
5.      Criação de plataformas online para comercialização dos produtos;
6.   Transmissão do ofício por meio da formalização de cursos e educadores, extraídos de dentro do próprio segmento produtivo;
7.      Criação de um fundo para a cultura.

No próximo dia 18 (quinta-feira), às 19h30, o resultado de todos esses espaços de construção será publicizado na câmara e a lei, então, votada. Será o momento mais importante até aqui. Depois disso, é cobrar que as verbas previstas sejam direcionadas e a lei devidamente cumprida em todos os seus aspectos.

Para conferir na integra o material desenvolvido por mim e entregue para análise na Câmara de Vereadores de Murici, é só seguir o link>>> “Audiência pública: debate sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias do município de Murici – AL”

As propostas desse documento são passíveis de incorporação na lei. Vamos pressionar para que a cultura tenha seu merecido lugar de destaque, ao lado de outras questões cruciais e emergenciais nesse momento histórico de Murici.