quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Coletivo A Fábrica realiza seu primeiro festival em União dos Palmares. E não deu outra: épico!

Projeto Paralelo.


União dos Palmares exalou o que há de melhor em movimento cultural alternativo no último sábado (22/09), num grande evento que varou a noite e fez nascer o sol de um domingo diferente, embalado pela trilha sonora da derradeira banda em apresentação e pelos aplausos do público restante fiel e pra lá de animado, na primeira edição de uma integração que deu muito certo.


Cheguei à Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) antes mesmo de o festival dar seu pontapé inicial e só saí dali quando a guitarra do Thiago Gadelha (guitarrista e vocalista da banda pernambucana Foxy Trio) silenciou. A convite do Coletivo A Fábrica, realizadores do evento, minha missão era cobrir as diversas atividades desse dia intenso tão aguardado por todos e trazer minhas impressões a você, amigo (a) leitor (a). E confesso ter ficado impressionado com o que vi! Nunca tive tanta empatia com um evento como tive com o 1º Festival de Artes Integradas Linha de Produção, fundamentalmente por suas características tão brilhantemente ousadas de promover uma maratona de acontecimentos ainda fora do contexto da Zona da Mata alagoana. Me senti tão ligado a tudo, tão parte daquele processo quanto outros participantes mais íntimos da proposta.

Manoel praticando Swing Poi.


Resumo da maratona apoteótica

O reggae da banda local Isegoria abriu as atividades deste dia que seria inesquecível para os presentes, com algumas músicas covers e outras autorais. Minhas fotos foram ficando cada vez mais tremidas a cada batida daquele som jamaicanizado, influenciado por grandes bandas (como O Rappa, por exemplo), além de puro e maduro, pois meu corpo teimava em acompanhá-lo. Pra onde meu olho batia, tinha algo espetacular a acontecer... Não eram os principais portos recebedores e dinamizadores de expressões artísticas urbanas que costumamos ver nos mais diversos meios de comunicação em massa, como Maceió ou Arapiraca, mas sim, eram meus vizinhos/irmãos palmarinos fazendo nascer uma grande ideia já integrada a Fora do Eixo, divulgadora e promovedora de festivais independentes, sendo uma ótima opção para a juventude local, apenas reforçando a certeza já existente de um coletivo promissor em sua missão. Aqui, Diego Geu fazia inúmeras tatuagens aos que queriam mais que marcar na mente, marcar no corpo aquele grande momento. Ali, Zulu Fernando grafitava uma linda arte urbana Sex Pistols de ser. Lá no fundo, o artista plástico Islan Mararte utilizava um dos setores comerciais da festa para expor pela primeira vez suas obras belíssimas, não poderia ter escolhido um dia tão propício. Logo ao lado, em outros setores comerciais, videoclipes e documentários prendiam a atenção dos roqueiros que ansiavam por verem seus ídolos na telona, como uma inspiração e energização a mais pra mandarem ver nos pulos e gritos que rolariam no palco central desse ritual humanizador, com as bandas ao vivo, que ganhavam colorido especial nos malabarismos de Kariny e Manoel, praticantes de Swing Poi. Foi lá na sala dos documentários que vi pela primeira vez Live! Tonight! Sold out, do Nirvana, e tive outro gás pra voltar e não mais parar de tirar os pés do chão. Confira algumas imagens:

Banda Isegoria.
Tatuagens de Diego Geu e equipe. 
Grafitagem, com Zulu Fernando.
Soturno, por Islan Mararte.
O show de acontecimentos não cessava e quem sentasse pra dar aquele desconto pras pernas com certeza perderia algo de emocionante. As rimas e acrobacias da galera hip-hop do União Quilombrothers, influenciados pela escola West Coast,  representou o rap quilombola da melhor maneira possível, entoando seu amor pela terra de Zumbi e narrando problemas sociais de forma contundente. Logo depois, Projeto Paralelo subiu ao palco levando o melhor do pop nacional pra agitar a galera, tornando-se insubstituível o momento em que membros do Coletivo A Fábrica fizeram uma participação especial. Mas, pra frente é que se anda... E foi mais pra frente que a banda de hardcore punk de União dos Palmares promoveu o caos durante seu show, com direito a estilhaços de guitarra por todos os lados, o que sobrou depois de ser espancada, levando o público ao delírio. Pros adeptos do hardcore melódico, União oferecia a Sick Mind, banda que empolgou os ouvidos com composições próprias e outros covers, onde tenho que destacar os do Dead Fish, responsável pelas melhores rodas insanas de bate-cabeça que o evento viu. Se o momento em que a banda Dr. Lhama fazendo cover de Iron Maiden e levou os fãs ao êxtase total não foi transcendental eu não sei mais o que é... Pra quem é de batida regional e pra quem é de Chico Science, rolou Estuário Mundaú Beat, que também não desapontou! Mais imagens:

União Quilombrothers.

União Quilombrothers.
Projeto Paralelo.
Sick Mind.
Banda Dr. Lhama.
Apresentação da Banda Dr. Lhama levou os roqueiros ao delírio. 




Outros destaques

Indescritível, mas vou tentar... Quando a Autopse subiu ao palco e sua vocalista Daniela Serafim Alves soltou seu vozeirão, senti aquele batido de All Stars no chão, parecia mais de mil malucos correndo desesperadamente pra frente, se amontoando e criando o mais espetacular feedback da noite rock ‘n’ roll. Foi bonito de ver os bangers histéricos e foi bom demais sentir aquele chão tremer...

Poemas de Maio era a atração do Linha de Produção que veio de bem longe pra agraciar o espetáculo com música fácil de ouvir. Com um pós-punk de inúmeras e grandes influências (como Joy Division, pra citar um único exemplo) foi grato influenciador de um clímax oitentista.

Repleto de material novo, Katty Winne (banda) se destacou mais uma vez como disseminadora de um som de primeira. Winne, a princesa do índie alagoano veio diretamente do Rock Cordel (http://www.culturaaolado.com/2012/09/to-sem-palavras-fim-de-um-rock-cordel.html) pra oferecer o que tem de melhor... E o que tem de melhor é sempre surpreendente.

Por fim, daqueles que sobreviveram ao amanhecer e a essa maratona de 13 horas seguidas de movimento alternativo em ebulição, se ouviu um grito: “Foxy Duo...”. É que a banda de Olinda Foxy Trio não contou com a presença do baixista Ayrton. Brincadeiras a parte, eu chamaria a apresentação da dupla de sobrenatural. É impossível descrever o que se sente quando Gadelha (vocal e guitarra) e Daniel (baterista) começam seu rock psicodélico e ensandecido, olhando um para o outro, numa sincronia de tirar o fôlego. E quando eles invertem os papéis, com Gadelha indo pra batera e Daniel com a voz e guitarra? E quando eles metem um inesperado cover de Queens of the Stone Age, que redireciona as atenções do seu comum blues pegado? Pois é... Aí é de arrancar os cabelos e gritar um “mais um” no volume máximo que a garganta suportar. Fazendo-me das palavras divulgadas pelo próprio coletivo em sua página no Facebook: “Final apoteótico para maratona de shows do Linha de Produção”.

Autopse.
Poemas de Maio (SP).
Katty Winne.
Foxy Trio, foto de Vanessa Mota.

“Poucas pessoas se arriscam a investir num projeto tão ambicioso e alternativo às opções de entretenimento corriqueiras.”. Esta frase foi retirada do interessantíssimo texto Do Outro Lado da Festa, do blog intitulado Intervalo das Horas (http://intervalodashoras.blogspot.com.br/), do amigo e integrante do Coletivo A Fábrica José Minervino, e resume bem o motivo do sucesso deste festival. Não que o Linha de Produção estivesse longe de problemas técnicos comuns a todas as produções desse caráter, mas o empenho da equipe que tomou essa iniciativa enquanto prioridade de elaboração por longos meses, correndo ali, preenchendo as lacunas aqui e acolá, corroborou para o êxito, o ápice do que buscaram e, sem dúvidas, a criação e estímulo de uma cena alternativa local forte.

E esse sou eu, esperando a ficha cair por ter estado presente na festa que valeu o ingresso e agradecido pelo convite do Coletivo A Fábrica para acompanhar esse momento histórico que União dos Palmares, na figura do coletivo, abraçou com esplendor em competência.

Abaixo, veja mais imagens do Linha de Produção e até a próxima! (clique na imagem para acionar o modo de visualização em Lightbox).

Banda Isegoria.
Zulu Fernando.
Soturno, por Islan Mararte.
Soturno, por Islan Mararte.
Soturno, por Islan Mararte.
Soturno, por Islan Mararte.
Soturno, por Islan Mararte.
União Quilombrothers.
União Quilombrothers.
Projeto Paralelo.
Projeto Paralelo.
Projeto Paralelo.
Projeto Paralelo.
Sick Mind.
Arte de Zulu Fernando.
Autopse.
Poemas de Maio (SP).
Poemas de Maio (SP).
Poemas de Maio (SP).
Katty Winne (banda).
Katty Winne.


Texto e fotos por Wanderson Gomes.