quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crônica do Festival Maionese 2012 (dia 01)

Absurdos.

No último dia 09 de novembro, reuni meus bagulhos, fiz minha mala, juntei meus amigos e parti pra capital pra ver aquele que tantos consideravam o maior e melhor festival de música independente do Estado de Alagoas, organizado pelo PopFuzz Coletivo. Achei esse elogio tão fodasticamente intenso que resolvi, claro, conferir com meus próprios olhos essa que foi a oitava edição. O que vou descrever a seguir talvez não dê conta da totalidade de eventos formadores do Festival Maionese 2012, mas são coisas que eu elenco como importantes pra mim e que me marcaram... Mas, como fui marinheiro de primeira viagem, não levem a mal se eu cometer deslizes.
 
            Depois de ter vivido uma verdadeira aventura pra chegar no local do evento (risos), o Armazém 112 – Jaraguá, percebi logo de cara um problema que perseguiria a todos nós (eu + dois amigos) durante aquele primeiro dia: a acústica do local. O som parecia bem mais alto do que de costume. Foi ampliado pelas estruturas do armazém e, pra ser sincero, tava incomodando. Só que esses tipos de imprevistos sempre ocorrem em eventos dessa proporção... Uma coisa ou outra sempre não sai como o esperado. Mas é o ponto principal da festa que deve ser impecável, não é? Pois bem. E foi! Com o passar do tempo eu nem ligava mais pro barulho. Fui viajando naquele universo composto por tantas coisas que eu, morando lá no interior, não costumo ver todo dia, ou melhor, não vejo nunca. Olhava pra frente, dois palcos, um do lado do outro (atrasos de bandas nem eram desculpas). Olhava pros lados, atividades paralelas aconteciam... Tinha cd’s e camisetas pra vender. Tinha comida boa, pra vegano ou não. Tinha cervejinha gelada e outros tipos de bebidas também. Tinha gente bonita. Tinha meus amigos. Tinha tudo o que é preciso pra formar o maior e melhor evento de música independente de Alagoas, pois, além de tudo o que foi descrito, tinha muita, mas muita música boa. Foi só chegar e perceber que o elogio professado por semanas nas redes sociais era sim verdadeiro.

Cd's pra vender.
Mais alguns itens pra vender.
Como eu havia dito: gente bonita! =D

Mas, vamos falar de música?

Assim que cheguei (após a aventura que eu já descrevi) acabei perdendo Dr. Lhama e Los Pregos... Uma pena. No entanto, a noite não deixou de começar bem pra mim. Vi o Capona, de Arapiraca, subir no palco e agradar a todos nós. Capona é uma banda de indie rock que tá preparando seu primeiro EP. Gostei bastante.

Capona.

Depois de Capona, a galera do rap mandou ver energia pro festival, esbanjando disposição e desenvoltura com letras de cunho social e bastante crítico: o LadOeste. Lembro dos caras muito a vontade no palco, e isso me deixou a vontade pra movimentar o corpo e dançar naquele embalo também. Durante essa pausa no rock, vi uma movimentação no palco ao lado. Já era a Morra Tentando se organizando pra invadir o espaço. E foi mesmo uma invasão. O vocalista João Marcelo por vezes desceu do palco e entoou seus gritos histéricos lá do meio da galera. O cara passou umas 500 vezes do meu lado (risos). Isso foi novo pra mim e achei foda. Pense num cara da galera?! Parecia meio incomodado em berrar de lá de cima, quis vir cantar com a gente. Além disso, que energia desses caras, heim?! O próprio João Marcelo dava altos pulos no palco e, por isso e outras coisas mais, animação não faltou.

LadOeste.
Morra Tentando.

A primeira atração da noite vinda de fora de Alagoas foi a Red Boots (RN). São dois caras (vocalista/guitarrista + baterista), tipo The Baggios, saca?!... Foi uma atmosfera de rock n’ roll puro. E acabou em rock n’ roll puro, com o vocalista e cabeludo jogando um instrumento no chão e levando a galera presente a loucura.

Red Boots (RN).

Alguns tapados pensariam que toda aquela diversidade musical que acontecia era um aquecimento pro gran finale, com Macaco Bong e Truckfighters. Mas é claro que não era. Cada banda que subia ao palco, cada diferenciação de estilo musical, apresentavam materiais de qualidade e que é produzido aqui em Alagoas. O melhor formato de evento é um festival de música, uma maratona que inclua várias potencialidades... Só assim a gente toma um soco no estômago com coisa boa, que nem fazíamos ideia de existirem, produzida logo no próprio berço, bem ali do lado. E assim o foi... Passei a noite toda tomando socos no estômago de sons alagoanos que eu sou obrigado a conhecer.

Um desses socos veio da Adrenaline. É claro que eu já tinha ouvido o material dos caras e até já viajei sem saber com o vocalista, Leonardo, pra um show em Recife (risos). Bem, são oito anos de trajetória e eu me culpo por não ter visto os caras ao vivo antes. Foi um show irado. Todo composto por músicas quentinhas que saíram no EP deles desse ano, a Adrenaline fez um show fora de série, inesquecível, com um new metal pesado e uma sonoridade obscura de tirar qualquer um do chão.  No fim antológico, o Léo pediu a organização pra cantar mais uma música... Mas, infelizmente, como esse lance de horário é cruel e deve (claro!) ser cumprido, não deu tempo. Esse é o tipo de banda que merece um show que vá das oito da noite até às oito da manhã.

Adrenaline.

Até a chegada de uma das atrações mais aguardadas da noite, Macaco Bong, passaram pelos palcos: Monster Coyote (RN). O power trio chegou meio que sem querer nada, um olhando pro outro, sem muita exaltação... Até que o som fuderoso começou e os caras de Mossoró escancararam meus sentidos. Absorvi toda a agressividade de suas músicas e me instiguei ainda mais pra continuar a maratona. Depois, veio o hardcore da banda de Bragança Paulista, Leptospirose. Meu amigo Williams Machado tinha falado bem a noite toda da banda e fiquei ansioso pra ouvir. As músicas são curtíssimas, mas muito brutais, marcantes e pegajosas. Lembro de uma música de nome “Sanduíche de Pimenta”, onde o vocal só dizia isso, amparado por um som estrondoso, tipo: sanduíche de pimenta, sanduíche de pimenta, sanduíche de pimenta... Com um tum, tum, tum, tum, tum em alta voltagem no fundo. Hehehe... Coisa de doido! A roda se abriu e a galera começou a correr de um lado pro outro. Olha, tudo bem que o público alvo do evento não era, em sua maioria, a galera do hardcore, mas a roda foi lamentável. Até briga rolou, acredita?! O amigo já citado até disse: “Briga numa roda? Isso não existe, véi”. Se a galera não sabe brincar, que fique em seus devidos lugares, né não?! Mas os seguranças trataram de resolver a bronca e é pra frente que se anda.

Leptospirose (SP).
A roda.

A próxima era a banda de trash metal, Absurdos. Com vocal impecável e solos arrasadores, essa banda foi a responsável por eu ter voltado pra casa com torcicolo gravíssimo. Não conseguia parar de banguear com aquele som. Foi muito bom!  Quem curtia metal não se desapontou. Maionese caprichou!

Absurdos.

A seguir, mais uma banda de fora do Estado a se apresentar no primeiro dia de Festival Maionese... A terceira banda de fora, pra ser mais exato. Mas, em seu segmento instrumental, era a única em todo o festival. Sem dúvidas, uma das bandas mais aguardadas por todos e por mim, que sou fã desde de sempre, quando madruguei nos primórdios e vi o clipe da Amendoin, de bobeira na MTV (aliás, música que ficou em colocação no ranking de melhores músicas nacionais de 2008, pela Revista Rolling Stone). Foi indiscutivelmente um dos momentos históricos que marcaria essa oitava edição do Maionese. Super animados e entrosados, o power trio de Mato Grosso, Macaco Bong, fez uma apresentação brilhante, impondo seu estilo, penetrando um peso fenomenal em cada acorde e com cada integrante num dia inspiradíssimo...  Quem sentiu falta de um vocalista? Ninguém! Baixo, guitarra e bateria diziam tudo o que era preciso dizer, em atuações de encher os olhos. O albúm This is Rolé compôs a centralidade da apresentação e levou todos os fãs e não conhecedores do trabalho ao êxtase absoluto. Em minha opinião, o melhor show da noite e com certeza um dos shows que ficarão marcados na história desse baita evento e dessa baita banda.

Macaco Bong.

Mas não acabou por aí... Por fim, a banda internacional do evento, Truckfighters, subiria ao palco com a responsabilidade de sustentar o ânimo do público após o show marcadamente inesquecível do Macaco Bong. Com a casa um pouco mais esvaziada (infelizmente) a banda da Suécia e pupilo de Josh Homme (Queens of The Stone Age) fez uma apresentação à altura. Particularmente, gosto muito do estilo stoner rock e não me desapontei com a banda, formada em 2001. Alternando sons mais tranquilos que contam com variações impressionantes de intensidade, culminando num peso dramático, característico do estilo, Truckfighters encerrou a primeira noite do Festival Maionese 2012 como todos gostariam. Curti bastante a desenvoltura do Dango (guitarrista) no palco. Que cara maluco! Foi demais!

Dango, Truckfighters.

Você quer ficar por dentro dos destaques do segundo dia do Festival Maionese 2012? Então fica ligado no Cultura. Até breve!

Ah, se liga nesse vídeo do PopFuzz sobre o primeiro dia de evento. Muito bacana!




Mais fotos:

Capona.

Capona.

Capona.

Morra Tentando.

Morra Tentando.

Red Boots (RN).

Red Boots (RN).

Adrenaline.

Adrenaline.

Adrenaline.

Adrenaline.

Adrenaline.

Adrenaline.

Adrenaline.

Leptospirose (SP).

Absurdos.

Absurdos.

Macaco Bong (MT).

Macaco Bong (MT).

Macaco Bong (MT).

Macaco Bong (MT).

Truckfighters (SUE).

Truckfighters (SUE). 
Truckfighters (SUE).

Truckfighters (SUE).

Texto e fotos por Cultura ao Lado